MOBILIZAÇÃO

Greve em Mogi se limita a manifestação no centro

NAS RUAS Manifestantes protestam contra a Reforma da Previdência e cortes na educação. (Foto: Eisner Soares)
Cerca de 300 pessoas protestaram nesta sexa-feira do Largo do Rosário ao INSS. (Foto: Eisner Soares)

Sindicalistas, estudantes, parlamentares e membros da sociedade civil de Mogi das Cruzes se uniram na manhã de sexta-feira para manifestar, principalmente, contra a Reforma da Previdência da maneira que vem sendo proposta, que para eles é “inaceitável”. Além disso, os cortes promovidos pelo Governo Federal na verba destinada à Educação, também foi um dos pontos da reivindicação. Os cerca de 300 participantes, que davam apoio à greve nacional, se encontraram no largo do Rosário e foram até o Instituto Nacional do Seguro Social, onde o protesto chegou ao fim.

Para esta sexta-feira, uma paralisação geral era prometida por sindicalistas do setor de transportes, o que foi barrado por liminares na justiça. “O balanço que faço é um pouco negativo, mas não em razão do nosso empenho”, disse Reginaldo Paccini, diretor de Imprensa do Sindicato dos Rodoviários de Mogi, ao lembrar que a entidade já tinha acordo com outros órgãos de São Paulo e do Brasil para participar do movimento, o que foi neutralizado por decisões judiciárias.

O sindicalista disse lamentar o fato de a justiça agir dessa forma, já que a manifestação não teria cunho partidário, mas sim a intenção de defender os direitos e benefícios dos trabalhadores. “A greve é um direito do trabalhador e estão golpeando a Constituição. Estão silenciando nossa voz e não quero acreditar que a ditadura está voltando”, continuou Paccini.

Conselheira do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Inês Paz, se mostrou satisfeita com a movimentação no ensino. Mesmo com as proibições de paralisação, ela lembra que diversos setores não tiveram um dia de normalidade no expediente. As agências bancárias, por exemplo, deram início ao expediente somente após as 13 horas.

“O 14 de junho vai ficar na história como ficou o 28 de abril de 2017, quando nós conseguimos barrar o desmonte da Previdência do governo Michel Temer e agora nós vamos barrar o desmonte da Previdência do novo governo, porque acredito que a proposta dele não vai ser aceita. Tivemos uma média de 70% de paralisação das escolas estaduais de Mogi”, afirmou a professora.

A Secretaria de Estado da Educação (Seduc-SP) afirmou, entretanto, que na parte da manhã as escolas registraram 8,9% de ausências de professores. Disse ainda que orientou que todas as escolas estaduais permanecessem abertas ontem e que, em caso de eventuais faltas, o superior imediato analisaria a justificativa apresentada de acordo com a legislação.

Uma das vozes do manifesto de ontem, o vereador Rodrigo Valverde (PT) frisou que é importante desmistificar certas coisas que se fala sobre a Previdência. “Existe toda uma arquitetura feita para seduzir as pessoas e esse terrorismo de que se não fizer a reforma o Brasil vai quebrar. Isso é uma grande mentira e vencer isso é muito difícil. Mas é fundamental explicar as propostas como elas realmente são, para que as pessoas possam entender e aderir ao movimento”, concluiu.