MANIFESTO

‘Grito dos Excluídos’ protesta contra os problemas sociais

Evento reuniu cerca de 200 pessoas na manha deste sábado em Mogi. (Foto: Edson Martins)
Evento reuniu cerca de 200 pessoas na manha deste sábado em Mogi. (Foto: Edson Martins)

A violência contra jovens e mulheres, falta de moradia, preconceito, intolerância religiosa e injustiça social foram as principais questões abordadas entre os movimentos religiosos, políticos e sociais na manhã de ontem. O “Grito dos Excluídos”, caminhada pelas ruas da cidade no Dia da Independência do Brasil, foi realizado pela primeira vez em Mogi das Cruzes.

O evento organizado com a ajuda da Igreja Católica reuniu cerca de 200 pessoas na Paróquia Nossa Senhora do Rosário, na Vila Industrial, com a presença de caravanas de outros municípios do Alto Tietê. Dividiram o mesmo palanque, padres, pastores evangélicos, representantes de religiões de matrizes africanas, além de movimentos em defesa da educação, moradia, das mulheres, jovens, negros, LGBT e políticos.

A abertura foi feita pelo bispo diocesano dom Pedro Luiz Stringhini, que falou sobre a necessidade de o governo implementar políticas públicas para garantir mais direitos a todos, e ter um olhar diferenciado diante do drama das pessoas menos favorecidas, hoje excluídas do sistema.

Em seguida, os participantes saíram pelas ruas da cidade com cartazes e carro de som. As principais críticas foram dirigidas ao governo federal, por cortes nos recursos destinados à educação, moradia, meio ambiente e programas sociais. Sobre Mogi foi destacado especialmente o drama das 459 famílias ameaçadas de despejo em Jundiapeba. A passeata acabou na praça do Rosário, no centro, onde continuaram os discursos.

A coordenadora da Apeoesp, Vânia Pereira da Silva, disse que no município “o grito é por falta moradia, violência contra as mulheres, chacina de jovens, desemprego, aumento do número de moradores de ruas, entre outras questões que precisam ter mais atenção do Poder Público”.

O presidente da ONG Macatuba, Waldemar Azevedo, também falou sobre os desafios que o município enfrenta na área de segurança. “Precisamos de uma cidade onde as pessoas possam circular sem medo, especialmente em locais como Jardim Universo, onde ocorreu uma das chacinas de jovens. Esse tipo de higienização social, praticada por grupos de extermínios, precisa ser investigado”, enfatiza. Ele critica ainda a “cultura das milícias”, presentes em vários bairros do município, com o pretexto de oferecer segurança aos moradores.