MUDANÇA

Grupo de idosos tem aulas e reuniões virtuais durante a quarentena

PRODUÇÃO Idosos atendido pelo Serviço de Convivência aprendem a fazer trabalhos manuais e atualmente assistem a videoaulas. (Fotos: divulgação)

Acostumados a participarem duas vezes por semana das atividades dos nove núcleos do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos para Idosos espalhados por Mogi das Cruzes, os frequentadores viram a necessidade de se integrarem cada vez mais com as tecnologias. As aulas, antes presenciais, agora são passadas por vídeos e discutidas por meio das redes sociais. Pela idade, todos alunos pertencem ao grupo de risco e precisam seguir as recomendações para ficar em casa.

Virtualmente a equipe de profissionais passam uma série de atividades. São exercícios físicos, aulas de artesanato, dança, yoga, meditação e ensinamentos de personal organizer. As videoaulas são debatidas em grupos do WhatsApp, onde os participantes podem conversar durante todo o dia e aproveitam para falar sobre outros assuntos.

“Com as atividades presenciais suspensas a nossa maior preocupação é em relação a uma possível ansiedade ou depressão dessas pessoas, porque elas são muito ativas. Então, nós começamos a pensar o que poderíamos fazer e buscamos ao máximo dar esse incentivo para que eles realmente fiquem em casa. Eles têm essa dificuldade e, por isso, as atividades são muito importantes, além de ter também essa proximidade social mesmo que online”, comenta Joana D’arc Vieira de Sousa Silva, coordenadora do Serviço.

A falta de proximidade com a tecnologia, entretanto, poderia ser uma dificuldade para desempenhar esse tipo de trabalho. Atualmente, Joana conta que 85% dos idosos dos grupos já fazem o uso desses equipamentos para conseguir participar. Já aqueles que não são ligados ao celular, os profissionais fazem ligações para os telefones fixos, tentando também aproximá-los do restante da turma, mesmo que o atendimento seja mais particularizado. A ideia é que todos os alunos estejam participando.

Ter levado os idosos para o mundo digital tem uma importância para além das aulas. Com as videochamadas os amigos conseguem se reencontrar e se reunir para conversar em pequenos grupos, afastando uma possível solidão desses dias fechados em casa. Desta forma, eles podem conversar dos mais variados assuntos e ter uma maneira agradável de preencher o tempo, dentro da proposta de um envelhecimento saudável mesmo dentro do isolamento social.

Outro ponto importante do projeto é a saúde e ao que parece também ter surtido efeito. Dos 270 idosos atendidos pelo Serviço, nenhum contraiu a Covid-19, o que demonstra que eles realmente estão ficando em casa. As ações preventivas incluem até mesmo dicas sobre a necessidade de manter a higiene pessoal e da casa em dia.

Criado pela Prefeitura de Mogi, o Serviço de Convivência é gerido pelo Instituto Pró+Vida, que leva as atividades para os bairros do Mogi Moderno, Conjunto São Sebastião, Vila Industrial, Boa Vista, César de Souza, Jardim Aeroporto III, Conjunto Santo Ângelo e Jundiapeba. Em cada um deles, 30 idosos são atendidos mensalmente. O telefone para mais informações é o 93488-8333.

O Instituto tem ainda uma campanha de doação emergencial em decorrência da pandemia do novo coronavírus que pode ser conhecida pelo site: doacao.ipvss.org.br/doacao-emergencial-coronavirus

Celular ajuda Luiza a enfrentar o isolamento

PREFERÊNCIA Luiza Oliveira exibe as bonecas que confecciona. (Foto: divulgação)

Aos 62 anos de idade, Luiza do Prado de Oliveira conta que sempre gostou de ficar no celular. Nos últimos dias, o equipamento tem sido um importante aliado contra o tédio durante o isolamento social. Por ele, ela assiste a filmes e peças de teatro, descobre novos conteúdos, conversa com os amigos e pode ainda participar das aulas do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos para Idosos.

“Eu confesso que cheguei a chorar nos primeiros dias de quarentena, porque sempre fui de sair muito. Aos poucos, a gente vai se acostumando, mas têm dias que são mais difíceis. Por isso é importante ter com o que ocupar a cabeça e ter os amigos para poder conversar. Aqueles que não têm celular eu sempre ligo no telefone fixo. Ter essas possibilidades é bom para todo mundo”, afirma a aposentada.

Dos aprendizados que começou a ter nas aulas presenciais do projeto ela diz gostar muito do crochê e da confecção de bonecas. Sendo assim, é o que tem feito durante esses dias em casa. Além de aproveitar para encontrar outros passatempos, como pintar as janelas e fazer receitas diferentes de bolos e pães. Já os exercícios físicos confessa: prefere quando pode ser realizado em grupo. Ainda assim, não abandonou a prática e tem feito cerca de três vezes por semana.

“Outra coisa que mudou na minha rotina é que eu tenho tentado ir para a cama mais tarde, só quando eu estou com bastante sono mesmo. Eu fico assistindo alguma coisa e aí depois vou deitar. Quando eu posso sair, costumo acorda 6 horas, mas ficando em casa isso é muito cedo e o dia acaba demorando mais para passar. Agora, têm dias que consigo acordar 10h, se está um friozinho eu fico até um tempo a mais na cama”, conta.

Mesmo que com horários alterados, Luiza afirma que acha importante manter uma rotina, com horários para as refeições e com uma boa alimentação. Com todas as mudanças, ela ressalta que é importante ter o grupo de amigos para conversar, porque sabe que nunca está só.

Contato diário com os alunos em rede social

Há quatro anos atuando no Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos para Idosos, Carmen Maria Albertin Silva já ministrou aulas de personal organizer, economia doméstica e de artesanato. Agora, com os ensinamentos sendo passados remotamente, ela tem gravado vídeos e procurado conteúdos interessantes na internet para compartilhar com os alunos.

A organização, além de ocupar de maneira produtiva o tempo dos participantes, tem como objetivo evitar possíveis acidentes domésticos e até mesmo a ingestão de alimentos ou remédios fora do prazo de validade. São dicas básicas mas efetivas para essas pessoas que muitas vezes moram sozinhas.

“Eu penso em alguns conteúdos, faço vídeos e mando para eles. Eles me mandam as dúvidas e a gente vai fazendo assim. Nós também tentamos pensar em atividades diferentes. Teve o dia da família, por exemplo, e nós falamos para eles mandarem fotos dos familiares e eles ficaram compartilhando no grupo. Eles gostam muito e se divertem”, conta Carmen, que é um das facilitadoras do projeto.

Depois de três anos ensinando os princípios da organização, no início deste ano ela começou a ensinar o crochê para os alunos. Para aqueles que tinha dificuldades com as agulhas, o “crochê de dedo” – uma técnica mais simplificada – foi ensinada. A profissional conta que a maioria deles conseguiu apender e hoje fazem as peças com o material que é fornecido pelo projeto, com kits de lã e agulha. Para aqueles que não se identificaram com a prática, estão sendo ofertados desenhos para pintar.

Apesar de dar as aulas uma vez por semana, Carmen revela que fica o dia inteiro em contato com os alunos pelos grupos de WhatsApp. “É muito legal ver a evolução pela qual eles passaram, porque muitos não tinham o costume de mexer no celular e hoje estão usando muito. Até mesmo os que não sabem ler e escrever conseguem se comunicar mandando áudios e isso é muito importante para eles. Eles têm assunto o dia inteiro e compartilham diversos conteúdos no grupo”, diz.


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