SAÚDE

Grupo Notre Dame Intermédica quer investir no Alto Tietê

Hospital Santana de Mogi está sendo gerido pelo grupo Notre Dame Intermédica, que comanda também a Samed. (Foto: Henrique Campos)
Hospital Santana de Mogi está sendo gerido pelo grupo Notre Dame Intermédica, que comanda também a Samed. (Foto: Henrique Campos)

O Grupo Notre Dame Intermédica, que há um ano assumiu os ativos da Samed (incluindo o Hospital Santana), empresa mogiana da área hospitalar e seguro saúde, está com fome. Com fome e caixa suficiente para alimentar seus planos de crescer à razão de 150 mil beneficiários por ano. Em 2018, ampliou sua carteira em 160 mil novos participantes: 80 mil da Samed e outro tanto da Mediplan, de Sorocaba.

Incumbido da missão pelo Bain Capital, fundo de investimentos norte-americano, que em 2014 assumiu o negócio (por R$ 2 bilhões), o mineiro Irlau Machado Filho parece ter fôlego de gato: quando chegou, havia uma carteira de 1,8 milhão de beneficiários; hoje são 4,4 milhões. Quintuplicou o faturamento para R$ 5,3 bilhões (2017) e pagou R$ 3 bilhões na aquisição de 12 companhias. Tudo com o lastro dos norte-americanos, dos R$ 2,7 bilhões captados no IPO (lançamento inicial de ações) na Bolsa de São Paulo.

E quanto custou a Samed? “Lamento, mas há cláusulas de confidencialidade no contrato que me impedem de revelar esse número” diz o sorridente senhor de 52 anos, que comanda uma tropa de 13 mil funcionários (eram 7 mil quando chegou, em breve serão 15 mil), a partir da sede incrustada na esquina da Avenida Paulista com a Alameda Joaquim Eugênio de Lima, centro financeiro de São Paulo.

Mas um negócio feito na mesma época da aquisição da Samed, e cujos números foram divulgados, pode dar uma pista acerca do tentáculo mogiano do GNDI: em setembro do ano passado, levou o GreenLine por R$ 1,2 bilhão, empresa com 464 mil beneficiários (80 mil na Samed); dois hospitais com 557 leitos (Samed: dois hospitais com 258 leitos); nove centros clínicos (3 na Samed), dez centros de emergência (2 na Samed) e um laboratório de Análises Clínicas nas duas aquisições. Uma avaliação apenas pela carteira de beneficiários, resulta em R$ 2,5 mil per capita para o GreenLine, transferido para a Samed seriam R$ 200 milhões.

Na sede do GNDI, Irlau parece absolutamente à vontade. Aquele ambiente não lhe é estranho: começou a carreira no mercado financeiro, atuando no Citi e no Santander. Há cerca de 15 anos, deu uma guinada na vida e passou pelo Medial Saúde (grupo do setor, hoje sob tutela da concorrente Amil) e pela Fundação A.C. Camargo, o emblemático empreendimento de Antônio e Carmem Prudente. Ali, conhecido como Hospital do Câncer, fez uma revolução: ampliou a eficácia, racionalizou gastos, aplicou a meritocracia.

Criou condições para investimentos de R$ 200 milhões, ampliou os leitos em 1/3 (de 321 para 441) e, quando saiu, a instituição já comprava equipamentos à vista, como um acelerador linear (R$ 1,5 milhão).

Em Mogi

Há algumas peculiaridades no processo de expansão do GNDI, a principal das quais é a preservação de uma equipe interna, responsável pela prospecção, avaliação e condução do negócio, dispensando a intermediação de bancos ou escritórios especializados. Além da economia, Irlau pretende, com isso, reduzir prazos, já que não há necessidade de longos briefings; “pois todos se conhecem e conhecem o negócio”.

Em Mogi não foi diferente. Entre os primeiros contatos com os controladores da Samed e a finalização do negócio, ele avalia que decorreu cerca de um ano. “Há a primeira prospecção, que pode partir de qualquer das partes, em seguida o tempo da maturação e, finalmente, o fechamento de contas.”

Feita a aquisição, entra em cena outra equipe interna do GNDI, responsável pela integração das empresas. “Temos um compromisso comunitário muito forte e a consciência de que há valores a serem preservados em cada uma das novas integrantes do grupo”.

No caso da Samed e sua equipe local, Irlau diz ter recebido relatos os mais otimistas de sua equipe de integração. A integração total será finalizada no próximo mês. Quanto a planos, eles incluem atualização de equipamentos, adequação de espaço físico aos conceitos do GNDI e ampliação de instalações. Não descarta a montagem – ou aquisição – de uma maternidade, serviço hoje prestado por parceiros do grupo. Tampouco o desembarque, por aqui, da Interodonto, seu braço de serviços odontológicos, cuja base de clientes duplicou nos últimos anos, passando de 900 mil para 1,8 milhão de beneficiários.

Por fim, Irlau Machado Filho satisfaz a curiosidade do repórter – a origem de seu nome: “Irlau pode dar a impressão de origem alemã mas, na realidade, é de família, resultante da junção dos nomes de meus avós. Só tenho conhecimento de três nomes iguais no Brasil: eu, meu pai e um terceiro, no interior da Bahia”.