INOVAÇÃO

Grupo voluntário de Mogi desenvolve e inicia a produção de mil protetores faciais para profissionais de Saúde

IDEIA Proteção individual será utilizada por médicos, dentistas e outros profissionais da área da saúde. (Foto: divulgação)
IDEIA Proteção individual será utilizada por médicos, dentistas e outros profissionais da área da saúde. (Foto: divulgação)

Hígia, na mitologia grega, era a deusa da saúde, limpeza e da sanidade, que exercia um importante papel no culto de seu pai, Esculápio. Enquanto o pai era mais associado diretamente com a cura de doenças, ela era associada com a prevenção dos males e continuação da boa saúde.

Hígia, nos dias atuais, é o nome de um projeto de um grupo voluntário, voltado para a produção de uma proteção individual por meio de impressoras 3D (três dimensões), que deverá ser utilizada por médicos, dentistas e outros profissionais da área da saúde pública envolvidos com o atendimento às pessoas suspeitas de terem sido infectadas, ou comprovadamente portadoras do novo coronavírus, vítimas da Covid-19.

O trabalho do Projeto Hígia, coordenado na cidade pela terapeuta ocupacional mogiana, Natacha Harumi Ota, 31 anos iniciou ontem, em Mogi das Cruzes, a produção de mil protetores faciais, que começarão a ser utilizados, de imediato, por aqueles que têm contato mais direto com as pessoas que estão sendo atendidas nos postos e hospitais públicos da cidade, com sintomas característicos do novo coronavírus. Este número foi definido durante reunião com o vice-prefeito Juliano Abe (MDB), mas poderá ser ampliado em função das necessidades resultantes da fase mais aguda da pandemia na região, prevista para os primeiros dias do próximo mês de abril.

COMANDO Natacha Harumi Ota coordena o trabalho na cidade. (Foto: divulgação)

Junto com Natacha, estão envolvidos no projeto para Mogi das Cruzes os membros de um grupo de mais 40 alunas de pós-graduação ou de cursos oferecidos pela terapeuta. São 10 na própria cidade e outros 30 espalhados por diferentes pontos do País, que estarão encaminhando a produção de suas impressoras ao município.

Mulheres

O Projeto Hígia nasceu de uma ação mais ampla, desenvolvida em nível mundial pela Women in 3D Printing, ou Mulheres na Impressão 3D, integrado por mulheres que trabalham com esta tecnologia em praticamente todos os continentes e, especialmente, em países como Estados Unidos e Japão, além de outros grandes centros tecnológicos europeus.

A ONG, com representação no Brasil, congrega mulheres que trabalham com impressoras em três dimensões ou utilizam o equipamento simplesmente como hobby, para troca de experiências nesta área. O grupo possui duas representantes oficiais no País, Maria Elizete Kunkel, docente da Unifesp, de São José dos Campos, e Mayra Vasques, PhD em Odontologia da USP.

A ideia de se produzir os protetores para uso no combate ao coronavírus nasceu de um contato de Maria Elizete com médicos da Unifesp, que lhe apresentaram a demanda por tal equipamento de proteção.

O protetor é composto de uma base, espécie de tiara, colocada na testa do profissional, na qual é preso um retângulo de plástico transparente, que cobre todo o rosto, até a altura do pescoço, formando uma barreira protetora das gotículas de saliva, secreção ou sangue, altamente contaminantes e muito comuns de serem enfrentadas por quem está na linha de frente dos hospitais ou outros setores de atendimento ao público.

Desse conjunto, somente a tiara é produzida nas impressoras 3D, enquanto o plástico pode ser adquirido em papelarias para receber pequenas alterações nas bordas e perfurações. As duas peças são interligadas com a ajuda de pinos.

“O profissional vai continuar usando a máscara, como acontece normalmente, mas ganhará uma proteção extra, muito importante”, como conta a mogiana Natacha Ota.

O projeto do protetor já existe em outras partes do mundo, mas coube a Natacha e Tainara Bina, mestranda em Engenharia Biomédica da Unifesp, adequá-lo às indicações dos médicos brasileiros. Assim, foram feitas mudanças no encaixe da folha de plástico e outras alterações no modelo anatômico, para torná-lo mais adequado às necessidades atuais dos profissionais.

Anvisa

Para que o equipamento pudesse ser produzido em larga escala, faltava uma autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, expedida na última segunda-feira. Com isso, o protetor poderá ser fabricado, em caráter emergencial, durante os próximos 180 dias, sem a necessidade das vistorias obrigatórias do órgão.

Cada máscara exige 40 minutos da impressora 3D, por isso, já está sendo feita uma parceria com a Unicamp, que espera produzir o protetor por meio de injeção plástica, bem mais rápida.

Se fossem produzidas para venda no mercado, cada máscara custaria por volta de R$ 10,00.

Liberado pela Anvisa, o grupo liderado por Natacha começou a produzir ontem as primeiras 40 máscaras, com material adquirido por elas próprias e graças ao dinheiro arrecadado por meio de crowdfunding, uma arrecadação feita pela internet, além de doações de empresas produtoras de máscaras cirúrgicas e de plástico. Como isso não é suficiente, o grupo espera doações, que poderão ser feitas por meio do link: @maria_elizete_kunkel | Linktree .


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