Histórias de amor

Diferentes motivos levam casais heterossexuais ou homoafetivos a adotar um recém-nascido ou uma família inteira, composta por sete irmãos, como fizeram o casal de italianos Paola e Maurizio Alesso, numa das comoventes histórias intermediadas pela Vara da Infância e Juventude de Mogi das Cruzes, nos últimos 20 anos.
Algumas dessas histórias, com poder de mudar destinos de vida e o futuro de mogianos, por algum revés, desvinculados de seus núcleos familiares, foram reunidas na edição de domingo, na reportagem “Adoção, prova de amor incondicional”.

O que leva uma família a se compromissar com a vida de uma criança ou adolescente difere entre si. Porém, algo as une de maneira definitiva: a experiência de viver o amor em sua plenitude, quando a afeição e devoção ao outro sustentam diariamente esse sentimento. Numa relação entre mãe e filho, esse amor nasce pelos laços consanguíneos.
Na adoção, os laços construídos superam os gerados pelo fortíssimo fator biológico, muito embora, nos cheguem os relatos sobre o rompimento desse vínculo criado pela natureza humana. Uma minoria das famílias exclui algum de seus integrantes.

Com o amadurecimento do Estatuto da Criança e do Adolescente (Eca), por força da lei, as instituições tentam, de toda forma possível, preservar as relações familiares. As crianças e adolescentes são candidatas à adoção, quando esgotadas todas as tentativas feitas pelo estado.

Há um demanda dificilmente zerada, principalmente quando se trata de crianças negras e acima de uma determinada idade, em geral, a partir dos 3 anos. A preferência são crianças brancas e recém-nascidas. Aguardam pela adoção 22 crianças e adolescentes e estão habilitados a esse processo, 57 casais em Mogi das Cruzes.

Da vivência do juiz Giógia Perini, responsável pela Vara da Criança e da Infância, desprendem-se fatos a serem refletidos. Um deles, a maior disposição dos casais homoafetivos a compartilharem desse amor quando as crianças possuem restrições como idade, etnia, uma doença congênita. Pais receptivos ficam menos tempo na fila de espera. Outro dado quebra paradigmas: a adoção, para ser uma decisão feliz, para ambas as partes, parte da reciprocidade do afeto entre a pessoa adotada e aquela que adota. Ambos precisam querer construir algo juntos. O adotado também precisa “adotar” aquele que pretende ampará-lo.


Deixe seu comentário