EDITORIAL

Hora de mudanças

Nas primeiras horas de vida, crianças que nascem na rede pública de Mogi das Cruzes estão sujeitas a enfrentar o pior problema do setor da saúde no Alto Tietê. Em boa parte dos plantões da Santa Casa de Misericórdia, a maternidade e a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal operam acima de sua capacidade.

O setor tem 38 leitos para receber as gestantes e 10 vagas destinadas aos recém-nascidos, sendo uma delas para o isolamento. Na última quarta-feira, 54 mulheres estavam internadas e 12 bebês recebiam os cuidados intensivos.

Novidade? Nenhuma. É como uma doença crônica a superlotação da maternidade, um setor impossível de ser controlado como um relógio. Os números mudam em alguns períodos do ano. Mas nada que alente para a normalidade do que deveria ser o primeiro cartão de visitas do poder público dado ao cidadão quando ele chega ao mundo.

A rotina é de estresse para trabalhadores e pacientes pela impossibilidade de se prever quantas mulheres vão chegar na recepção, permanentemente aberta, para dar à luz em um determinado horário e dia.

A população conhece as difíceis condições provocadas pela alta rotatividade de pacientes no hospital, que acabou ficando praticamente isolado com o fim de outras maternidades particulares.

Desde a implantação do SUS que remodelou a assistência médica brasileira, a defasagem nos valores das tabelas de serviços pagos pelo governo federal a hospitais conveniados determinou a derrocada financeira de muitas Santas Casas pelo País. Muitas fecharam.

A Santa Casa de Mogi rema contra essa maré. Conta com a parceria com a Prefeitura, emendas financeiras de parlamentares que muitas vezes são anunciadas, mas não chegam para valer, e a venda de títulos de capitalização.

O deficit mensal é de cerca de R$ 400 mil. O hospital vive em obras para melhorar a estrutura física mas não acompanha a demanda dos pacientes deserdados pelo desmonte da saúde pública e dos serviços que ninguém quer assumir porque são menos rentáveis. Caso, aliás, também da ortopedia. Esse quadro não é novidade para José Carlos Petreca, o novo provedor. Até mês passado, ele respondia como vice-provedor.

Ele promete continuidade, mas terá de mudar a pegada para antecipar a ampliação da maternidade e abrandar as dívidas.

A superlotação, principalmente na UTI Neonatal, é uma situação insegura e nevrálgica porque remete obrigatoriamente aos dois piores momentos recentes da Santa Casa em 2002 e 2010, quando bebês morreram por infecção hospitalar.

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