ARTIGO

Hora h para os digitais

Rafael Sampaio

A história vivida no passado por gigantes do mundo empresarial vai se repetindo com as megaorganizações tecnológicas, que viveram um período de franca e descontrolada expansão, acreditando que nada lhes poderia fazer frente. Aconteceu com o petróleo, as telecomunicações e algumas commodities no século XX, que foram forçadas a se enquadrar.

Agora parece que os laços em volta dos “cachorros grandes” da tecnologia estão se apertando e eles, que não brigavam muito entre si, começam a se pegar, pois o estoque de alimentos já se rarefaz.

Um deles é o capital especulativo, que sustentou a falta de rentabilidade ou serviu para uma acumulação extraordinária de capital. O sinal mais evidente aconteceu em 20 de novembro, quando os principais índices das bolsas de Nova Iorque baixaram a ponto de zerar todos os ganhos obtidos em 2018.

Também veio a público que o Facebook contratara uma firma oriunda do pesado marketing político americano, a Definers, para fazer o mesmo jogo sujo em relação a seus críticos e concorrentes. Exposta por um artigo no New York Times, essa relação foi rompida e os principais executivos do FB se apressaram a dizer que não tinham nada com isso.

Ainda em relação ao Facebook, que parece viver uma crise por semana, ele foi pego de calças curtas no Sudão do Sul, onde o leilão de uma jovem de 16 anos aconteceu através dessa mídia social. E em Londres, um policial armado a serviço do Parlamento confiscou o laptop do CEO de um ex-parceiro do FB, a Six4Three, onde parece haver mais uma enorme quantidade de munição contra a organização.

O Google, que não fica atrás em seus métodos, mas tem sido menos exposto, passou a enfrentar um processo aberto em sete países europeus por estar violando a nova lei do bloco continental de proteção de dados pessoais, que a empresa alega estar cumprindo, a seu modo, mas de fato não está levando a sério.

Está mais do que na hora deles olharem o exemplo histórico de gigantes que precisaram se enquadrar e mudar de atitude, passando a considerar mais tanto seus consumidores, como concorrentes diretos e indiretos e até os governos nacionais, passando para a fase colaborativa e com maior solidez deontológica.

Rafael Sampaio é consultor em Propaganda e Marketing