Hospital Doutor Arnaldo espera leitos para a Covid-19 na terça-feira

Promessa da Secretaria de Saúde do Estado é de que os 60 leitos fossem inaugurados em 30 de junho, mas pasta não atualiza o andamento das intervenções. (Foto: Arquivo)
Promessa da Secretaria de Saúde do Estado é de que os 60 leitos fossem inaugurados em 30 de junho, mas pasta não atualiza o andamento das intervenções. (Foto: Arquivo)

O remanejamento de 60 leitos prometidos em 2017 para a clínica de dependência química no Centro Especializado em Reabilitação Dr. Arnaldo Pezzuti Cavalcanti para o tratamento da Covid-19 faz parte de uma conhecida crônica marcada pelo descumprimento e a descontinuidade dos projetos anunciados para o complexo hospitalar localizado no Distrito de Jundiapeba.

Anunciados pelo Governo do Estado ao Ministério Público Federal como uma condição para o enfrentamento da pandemia provocada pelo novo coronavírus e a estruturação da saúde regional para a flexibilização da quarenta, as vagas irão ampliar o potencial de tratamento na cidade. A promessa é entregar o serviço esta terça-feira, dia 30.

Para isso, estão sendo realizadas obras de adaptação do prédio projetado no passado, para ampliar a assistência médica e psicológica de curta duração a dependentes químicos e a pacientes psiquiátricos.

Uma fonte ouvida por O Diário afirma que a promessa feita governador João Doria poderá ser concretizada, com esforço e parcialmene, nas próximas semanas.

Procurada, a Secretaria de Estado da Saúde sequer respondeu a este jornal sobre a obra e a previsão de entrega. A abertura faz parte de um pacote de ampliação que contempla o Hospital das Clínicas, o HC de Suzano. Para lá, foram prometidos 96 leitos até o fim de junho.

No Dr. Arnaldo, houve dificuldades como o dimensionamento da área que será adaptada para receber 30 leitos de enfermaria e passará a contar com 30 vagas de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O planejamento inicial passou por uma revisão porque as medidas apresentadas teriam desconsiderado o espaço para as redes de gases e outros itens de infraestrutura para o funcionamento do tratamento intensivo, segundo apurou este jornal.

A abertura depende da instalação dos equipamentos, no caso da UTI, e a definição sobre quem responderá pela operacionalização do serviço.

A unidade será gerenciada por uma organização social, que responderá pelas equipes médica, de vigilância, limpeza, alimentação e administrativo.

Um ponto favorável é que a contratação poderá ser facilitada pelo relaxamento de procedimentos por causa da excepcioinalidade criada pela pandemia.

A notícia sobre os leitos foi recebida com surpresa por quem acompanha, há tempos, a destinação deste prédio para a psiquiatria e a dependência química.

Em 2017, o Governo do Estado garantia a instalação dos 60 leitos que iriam se somar aos 22 já existentes no local.

Naquele momento, inclusive, foi divulgado que o teto financeiro de R$ 2,2 milhões previsto no orçamento da Secretaria de Estado de Saúde para o setor seria alcançados com a ampliação para os 82 leitos.

Passados três anos, os leitos para a dependência química não foram concluídos e o prédio irá servir, agora, para o tratamento da Covid-19.

UTI para moradores aguarda ampliação

O Hospital Dr. Arnaldo Pezzuti Cavalcanti, como ainda é chamado pela maioria das pessoas, tem demandas antigas a serem superadas. Uma delas é a ampliação dos leitos da UTI para Moradores anunciada da há 13 anos quando foi o serviço inédito, mais tarde denominado “Quando a UTI é um lar”.

Esse é um dos setores mais querido e diferenciado no “Dr. Arnaldo”, apelido popular do lugar. A unidade trata crianças e adultos que dificilmente terão alta porque possuem uma grande dependência da estrutura e de equipamentos hospitalares para viver.

Quando foram inaugurados os 14 leitos de UTI e dois de isolamentos, a promessa era de se chegar, aos poucos, a 44 vagas. Hoje, são 28. Já se falou, no decorrer da última década, nos planos para atingir a marca dos 60 leitos infantis e 20 para adultos neste setor.

No chapéu das necessidades está ainda a execução de projetos para a restauração de espaços históricos como o do teatro, que tem na acústica precisa uma marca que a passagem do tempo tenta apagar.

Tombado, serviço vai completar 92 anos

O Hospital Dr. Arnaldo Pezzuti Cavalcanti foi tombado como patrimônio histórico pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arquitetônico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat) há dois anos.

Em agosto próximo, esse serviço de saúde desconhecido por muitos mogianos completa 92 anos de fundação. Foi construído como um Asilo Colônia Santo Ângelo e integrante da rede paulista de profilaxia e tratamento da hanseníase, implantada durante a vigência do isolamento compulsório dos portadores da doença entre 1930 e 1960. ´

Na prática, o tombamento não trouxe mudanças significativas na proteção dos símbolos dessa história. Entre os mais deteriorados espaços estão o anfiteatro projetado pelo arquiteto Reni Levi (1901-1965) e o cemitério.

O processo para tombamento defendeu a proteção da estrutura como registro histórico: “os estudos de tombamento concluíram que estes locais são documentos da lógica arquitetônica e territorial de isolamento, praticada pela saúde pública no País e no mundo no final do século XIX. Desta maneira, o tombamento é importante para se preservar a memória de um passado doloroso, que foi quase esquecido”.

O hospital possuía pavilhões de tratamento dos pacientes com hanseníase, que foram, aos poucos, transformados e subutilizados.

Era uma “minicidade” e contava com as casas dos internos que não podiam sair do local, durante as primeiras décadas, além de igreja, rádio, escola, cineteatro, campo de futebol, cemitério, praças, e outros.

Com o tratamento da doença, no decorrer do tempo, alguns pacientes deixaram o local e outros permaneceram nas casas destinadas a famílias formadas durante a internação compulsória.

Desde o final do século passado, o estado transforma o local em um hospital de retaguarda para pacientes crônicos, doenças infecciosas, como o HIV, e a dependência química.

Municípios descarta mais casos do que confirma 

O balanço da Secretaria Municipal de Saúde não registrou ontem, até por volta das 13h30, óbitos provocados pela Covid-19. Aos finais de semana, a atualização dos dados sobre os casos da doença provocada pelo novo coronavírus é prejudicada. Anteontem, foram confirmadas 5 mortes na cidade que permanecerá na zona laranja da classificação do Plano São Paulo para a retomada das atividades sociais e públicas, e segue registrando novas infecções. De sexta para sábado, foram confirmados 83 registros e descartadas 282 suspeitas.

No total, os dados atualizados foram: quatro óbitos em investigação, 1.319 pessoas curadas, quatro a mais em relação ao dia anterior, 925 aguardavam os resultados e 875 não tiveram a coleta para exames – nesses casos estão moradores com apenas sintomas leves da Covid-19.

Dos 9.261 pessoas que tiveram contado com o novo coronavírus, a maioria, 5.420 indivíduos, apresentou resultados negativos para o novo coronavírus.

Manter a redução dos índices de contaminação e a segurança na oferta de leitos para os pacientes graves seguem como condicionante para conter a nova doença até a descoberta e a aplicação de uma vacina em massa.

O recuo do ritmo de contágio registrado na cidade, nas últimas semanas, embala as cobranças do governo municipal para a passagem da cidade para a fase amarela do Plano São Paulo. No entanto, a determinação leva em conta o aumento de mortes na região do Alto Tietê, caracterizada pelo fenômeno da conurbação e a alta densidade populacional em boa parte das cidades.

A manutenção na faixa laranja provocou reação do Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê, na sexta-feira última, porque somente a mudança desse status definirá o avanço da retomada econômica, com a reabertura de categorias como bares, restaurantes, salões de beleza, entre outros.


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