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Hyundai HB20S continua sendo opção entre sedãs compactos

Mesmo com competidores mais modernos, como VW Virtus e Fat Cronos, o sedã compacto da Hyundai ainda vale a pena (Foto Jorge Rodrigues Jorge/AutoPress)

Nos showrooms da Hyundai, o modelo que serve de vitrine para atrair os consumidores é a versão Premium do sedã compacto HB20S, a mais abastada, que custa R$ 72.290 e tem como único opcional os bancos de couro. E é ela um dos trunfos da marca para tentar evitar que o avanço dos concorrentes mais modernos Volkswagen Virtus e Fiat Cronos, principalmente) possa afetar os resultados de seu sedã. A confiança da marca coreana é tão grande que, até agora, as únicas alterações promovidas no HB20S foram realizadas no “face-lift” promovido há quase três anos. Na época, as principais mudanças estéticas ficaram por conta da grade hexagonal dianteira com detalhes cromados, que segue a atual identidade visual da Hyundai. Na versão de topo, os faróis ganharam projetores, incluindo os de neblina, e luzes diurnas em LED.

O HB20S custa R$ 72.290, já incluídos nesse preço o valor cobrado para bancos de couro, único opcional do modelo (Foto Jorge Rodrigues Jorge/AutoPress)

Por dentro, o acabamento foi melhorado e tentou-se elevar o patamar do sedã entre os rivais a partir de uma lista de itens de série que, naquele tempo, era bem interessante. Hoje, porém, ar-condicionado digital, airbags laterais e retrovisores com rebatimento automático, por exemplo, já entram no pacote de variantes de topo de modelos da concorrência.

Apesar de já ter alguns anos de mercado, o Hyundai HB20S mantém linhas modernas, com um ar esportivo (Foto Jorge Rodrigues Jorge/AutoPress)

No interior do sedã da Hyundai, os materiais são aparentemente de boa qualidade e quase todos os comandos são de utilização simples e bem resolvidos, com exceção do botão do computador de bordo. A central multimídia, com tela sensível ao toque de sete polegadas, também agrada, espelhando celulares compatíveis com Android Auto e Apple CarPlay e transmitindo programação da TV aberta digital. Porém, fica devendo um navegador GPS.

No interior, o sedã compacto da Hyundai mostra bom acabamento, com materiais de boa qualidade (Foto Jorge Rodrigues Jorge/AutoPress)

O motor é um dos pontos a favor do HB20S, já que desde o início chamava bastante atenção. O propulsor 1.6 litro flex trabalha em conjunto com uma transmissão automática de seis velocidades e rende 128 cv máximos de potência e 16,5 kgfm de torque. O trem de força é suficiente para que o modelo chegue de zero aos 100 km/h em 10,6 segundos e atinja a velocidade máxima de 191 km/h.
Em movimento, os 128 cv e o torque de 16,5 kgfm se traduzem em um vigor capaz de impressionar. Ultrapassagens e retomadas são realizadas sem grande esforço: basta pressionar com vontade o pedal do acelerador que o câmbio automático de seis marchas reduz o suficiente para ver o conta-giros subir rapidamente. O barulho aumenta no habitáculo, mas esse leve incômodo compensa. A direção hidráulica tem o peso certo para manobrar o carro sem dificuldades e garantir firmeza em velocidades altas.
A visibilidade é semelhante à da maioria dos sedãs, ou seja, melhor para a frente que para trás. Surpreende a ausência de uma câmara de ré, mesmo com uma central multimídia tão moderna e funcional. E agora, com a concorrência cada vez mais acirrada e nivelada por cima, isso certamente prejudica o HB20S na disputa. Outros recursos ficam de fora da versão Premium, como controles eletrônicos de estabilidade e tração e controle de velocidade de cruzeiro. (Márcio Maio/AutoPress)

Ponto a ponto – Hyundai HB20S Premium

Desempenho – O propulsor 1.6 de 128 cv não decepciona. Diante dos 1.086 quilos da versão Premium do HB20S, garante uma boa relação peso/potência de 8,5 kg/cv. Não chega a ser um sedã esportivo, mas tem agilidade suficiente para se destacar no tráfego urbano e desempenho instigante na estrada. O câmbio automático de seis marchas tem relações eficientes e ajuda o motorista, com respostas rápidas em ultrapassagens e retomadas. Nota 8
Estabilidade – A suspensão é firme, o que contribui para controlar bem a carroceria. Diante de curvas acentuadas, há pouca rolagem. Nas retas, ele anda em trilhos, sem exigir correções de trajetória. Mesmo sendo estável, não se justifica que um automóvel na faixa de R$ 70 mil não receba tecnologias de segurança como controle eletrônico de estabilidade e tração. Esses recursos vão ficar mesmo para uma próxima geração. Nota 8
Interatividade – O HB20S é um carro fácil de se lidar, ainda mais na configuração de topo. Os faróis têm acendimento automático e as manobras são facilitadas pelos sensores traseiros de estacionamento, mas falta de câmera de ré. O ar-condicionado é digital e os retrovisores rebatem eletricamente. A central multimídia espelha alguns modelos de celulares, mas não tem navegador GPS, embora receba sinal de TV digital. Por outro lado, o botão para navegar pelo computador de bordo está localizado atrás do volante, o que dificulta o acesso. A falta de controle de velocidade de cruzeiro também é outra desvantagem. Nota 7
Consumo – O Hyundai HB20S Premium foi avaliado pelo InMetro e conseguiu médias de 7,0/9,3 km/l com etanol na cidade/estrada e 10,2/12,9 km/l com gasolina no tanque, nas mesmas condições. Isso rendeu nota D na categoria e B no geral. Para um motor flex com suas especificações, não chega a ser surpreendente. Mas há opções mais econômicas. Nota 6
Conforto – Como todos os compactos, o HB20S foi feito para levar quatro adultos com conforto e cinco com algum aperto no assento traseiro. Neste caso, porém, há bom espaço para as pernas atrás. O isolamento acústico é eficiente até o momento em que se exige mais força do motor. Nota 8
Tecnologia – A linha HB20 usa uma plataforma moderna, que teve alguns componentes desenvolvidos especialmente para o Brasil e ainda serviu como base para o Hyundai i20 europeu. Em 2015, o motor 1.6 litro ganhou sistema de partida a frio e o câmbio automático passou a ter duas marchas a mais, totalizando seis. A central multimídia da versão de topo traz soluções interessantes para o motorista, como o espelhamento de alguns celulares e sinal de TV. Mas alguns itens de conforto e de segurança passam longe do modelo, apesar de seu alto preço. Nota 7
Habitabilidade – Há nichos na medida para levar os objetos pessoais do motorista, mas sem grande folga. As portas têm bom ângulo de abertura e os ajustes do banco propiciam uma posição confortável para o condutor. O porta-malas carrega 450 litros. Nota 8
Acabamento – O interior da linha HB20 é agradável e remete a carros maiores e mais caros da marca sul-coreana. Além disso, os encaixes são precisos e os materiais escolhidos de boa qualidade. Os bancos em couro ajudam a criar a boa impressão, mas não há luxos. E os lançamentos recentes se destacam mais que o sedã da Hyundai. Nota 7
Design – Esse sempre foi um ponto forte do HB20S, principalmente na sua carroceria hatch, HB20. São linhas que dão um ar esportivo ao mesmo tempo que dão equilíbrio. Mesmo a chegada de novidades no segmento, como os pouco ousados Fiat Cronos e Volkswagen Virtus, não deixou o HB20S defasado. Apenas reduziu a superioridade de estilo do modelo da Hyundai. Depois de seis anos, o sedã ainda é charmoso. Nota 8
Custo/benefício – O HB20S Premium não é barato. Custa R$ 72.290, mas já com tudo que o modelo pode receber. Ele tem preço bastante semelhante ao de concorrentes mais modernos em suas variantes de topo. Porém, por não se tratar de um projeto tão novo, seu conteúdo está um tanto defasado. Nota 7
Total – O Hyundai HB20S Premium somou 74 pontos em 100 possíveis.

(Foto Jorge Rodrigues Jorge/AutoPress)

Ficha técnica
Hyundai HB20S Premium

Motor: Gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 1.591 cm³, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro, comando duplo no cabeçote, sistema de partida a frio e comando variável de válvulas na admissão. Acelerador eletrônico e injeção eletrônica multiponto sequencial.
Transmissão: Automática de seis velocidades à frente e uma a ré. Tração dianteira. Não possui controle de tração.
Potência máxima: 128 cv e 122 cv a 6 mil rpm com etanol e gasolina.
Aceleração de zero a 100 km/h: 10,6 segundos.
Velocidade máxima: 191 km/h.
Torque máximo: 16,5 kgfm a 5 mil rpm com etanol e 16,0 kgfm a 4.500 rpm com gasolina.
Diâmetro e curso: 77,0 mm x 85,4 mm. Taxa de compressão: 12:1.
Suspensão: Dianteira com rodas independentes do tipo MacPherson, com molas helicoidais, amortecedores telescópicos pressurizados e barra estabilizadora. Traseira semi-independente por eixo de torção, barra estabilizadora, molas helicoidais e amortecedores. Não possui controle de estabilidade.
Pneus: 185/60 R15.
Freios: Discos ventilados na frente e tambores atrás. Oferece ABS com EBD.
Carroceria: Sedã em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,23 metros de comprimento, 1,68 m de largura, 1,47 m de altura e 2,50 m de distância entre-eixos. Airbags frontais e laterais de série.
Peso: 1.086 kg.
Capacidade do porta-malas: 450 litros.
Tanque de combustível: 50 litros.
Produção: Piracicaba, São Paulo.
Lançamento no Brasil: 2012.
Reestilização: 2015.
Itens de série: Ar-condicionado digital e automático, direção hidráulica, fixação Isofix, central multimídia com Bluetooth, espelhamento de celulares e TV Digital, comandos no volante, computador de bordo, banco do motorista com regulagem de altura, vidros elétricos com função one-touch, travas elétricas, chave tipo canivete com comando de travamento das portas, retrovisores elétricos com luz indicadora de direção e com rebatimento elétrico, volante com regulagem de altura e profundidade, rodas de liga leve de 15 polegadas, lanternas renovadas, faróis com projetores e luzes diurnas em led, faróis de neblina com projetores, acendimento automático dos faróis, sensores traseiros de estacionamento, banco traseiro bipartido, alarme volumétrico, volante e pomo de câmbio em couro, maçanetas externas cromadas, friso cromado nos vidros laterais e airbags laterais.
Preço: R$ 70.690.
Preço com bancos de couro: R$ 72.290.