TERCEIRA IDADE

Idosos de Mogi das Cruzes ainda esperam vagas em asilos

POPULAÇÃO Mogi tem 55 mil pessoas acima dos 60 anos, segundo o Conselho Municipal do Idoso. (Foto: arquivo)
POPULAÇÃO Mogi tem 55 mil pessoas acima dos 60 anos, segundo o Conselho Municipal do Idoso. (Foto: arquivo)

A população mogiana manteve a tendência de envelhecimento na última década. Hoje, a cidade possui mais de 55 mil pessoas acima dos 60 anos, segundo o Conselho Municipal do Idoso de Mogi das Cruzes (CMI). O fenômeno é observado em todo o país, porém, a média do município está acima da maioria das cidades brasileiras e representa cerca de 12% dos habitantes de Mogi. O número tende a aumentar e consequentemente exigir mais atenção do poder público.

Segundo Juraci Fernandes, vice-presidente do Conselho, Mogi deu importantes passos para melhor atender a terceira idade, porém essa parcela da população ainda carece de atenção e investimentos. Atualmente, 30 pessoas da cidade esperam vagas nas Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) existentes.

DEMANDA Juraci também defende residência geriátrica. (Foto: arquivo)

“Eles estão há muitos anos na fila de espera. Alguns já morreram, outros estão em casas de passagem para moradores de rua enquanto não aparece vagas, vivendo numa condição indigna, já que esses serviços não têm infraestrutura e tão pouco recursos humanos para atender essa demanda que necessita de cuidados especiais”, explica Juraci.

“A cidade precisa de uma nova casa de repouso. Estou vendo que vai terminar o ano e esse serviço não será implantado conforme previsto no orçamento de 2019”, completa a vice-presidente.

Em 2018, a Secretaria Municipal de Assistência Social recebeu acréscimo de R$ 1 milhão no orçamento de 2019 para atenção à pessoa idosa.

“Esse dinheiro foi quase que na sua totalidade para reajuste das subvenções do serviço de acolhimento para idosos do município que estavam muito defasadas diante do custo real do serviço”, explica a vice-presidente. Segundo Juraci, a outra parte “ainda está perdida no espaço esperando a implantação de mais uma casa de repouso para tirar da lista os idosos que precisam ser abrigados”.

Ela aponta que a cidade também necessita da construção de uma residência geriátrica – equipamento para atender os idosos que estão acamados junto a suas famílias que não têm condições financeiras para cuidar. “Ninguém quer falar disso e nem quer saber o número da demanda para não ter que assumir, triste realidade”, lamenta Juraci.

Desaparecimento

O caso de Emília Yoshiko Takemoto, de 79 anos, moradora da Vila Suíssa que se perdeu essa semana, após embarcar em um ônibus e ter lapso de memória, gera questionamentos sobre a maneira correta de reagir ao vivenciar uma situação similar.

Segundo Juraci, ao encontrar um idoso que se perdeu, é fundamental procurar ajuda imediata de um policial da Guarda Municipal ou da Polícia Civil (190). Já os familiares do idoso, ao notar o desaparecimento, devem procurar a polícia passando todos os dados físicos, entre eles a roupa que a pessoa estava usando, e então percorrer os arredores da residência e em hospitais.

A vice-presidente diz que é possível evitar esse tipo de situação. “O idoso que já apresenta confusão mental não deve ficar isolado, mas precisa andar sempre acompanhado de um familiar, amigo ou cuidador e procurar acompanhamento médico para tratamento adequado. Ela explica porém que é importante preservar a independência da pessoa.

“Independentemente da idade avançada é importante que as pessoas continuem mantendo sua liberdade de ir e vir. Porém deve-se tomar os cuidados necessários, levando-se em consideração que os transportes públicos, em especial os ônibus municipais, ainda estão longe de atender as necessidades dessa população”, diz Juraci. “Observo que, atualmente, o Alzheimer virou um fantasma na vida das pessoas mais velhas. Isso não é bom. É necessária a prevenção, com atividades físicas, sociais e alimentação balanceada para envelhecer com saúde. Velhice não é doença”, completa.

O papel do Conselho Municipal do Idoso é a promoção dos direitos da pessoa idosa, propondo implantação de políticas públicas que de alguma forma ajude o envelhecer da população com qualidade de vida. O telefone do CMI é o 4798-4716.


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