CASO

Imagem é localizada na Pinacoteca

Imagem da Nossa Senhora da Conceição participava de exposição na Pinacoteca de Mogi das Cruzes, de onde desapareceu na tarde da última quarta-feira. (Foto: divulgação)
Imagem da Nossa Senhora da Conceição participava de exposição na Pinacoteca de Mogi das Cruzes, de onde desapareceu na tarde da última quarta-feira. (Foto: divulgação)

Pouco mais de 24 horas depois, desfez-se o mistério em torno do desaparecimento da imagem de Nossa Senhora da Conceição, que estava exposta na Pinacoteca de Mogi das Cruzes. Às 15 horas de quarta-feira, funcionários do lugar deram falta da peça. Ontem, às 15h11, ela foi reencontrada dentro da própria Pinacoteca, escondida em um cubo de exposição que sustenta o livro de assinaturas situado na entrada do espaço, já no piso superior do prédio. A suspeita da Prefeitura é de que o ato já tenha sido premeditado, com o objetivo da pessoa retornar ao local para concluir o furto.

Mesmo antes da notícia de que a imagem havia sido encontrada, o secretário municipal de Cultura e Turismo, Mateus Sartori, se mostrava confiante. Muito disso pelo fato de o fechamento da Pinacoteca ter sido determinado no mesmo dia em que aconteceu o sumiço. Desta forma, a equipe técnica da pasta pôde fazer uma busca minuciosa no local. Além disso, a Secretaria tratou de espalhar o assunto o mais rápido possível, a fim de buscar informações junto às pessoas que haviam visitado o local nos últimos dias e já estava, inclusive, encaminhando ofícios para órgãos estaduais, com o objetivo de divulgar ainda mais o assunto.

A peça escolhida levanta suspeitas de que a tentativa de crime estava sendo efetuada de maneira profissional. “Existiam muitas outras peças em melhores condições por lá, porque a imagem da Nossa Senhora da Conceição já estava velha e danificada, além de não ser muito pequena. Tinham outras mais bonitas e menores ali, seria até mais fácil de levar”, comentou o secretário, que revelou que a exposição – que ficaria no local até junho – vai ser toda recolhida, dando espaço novamente às obras dos artistas da cidade.

O prédio conta com câmera de monitoramento na entrada, o que não acontece nas outras salas. Sartori confessa que sente medo de trazer outras peças com tanto valor para serem expostas na Pinacoteca. Isso porque as obras mogianas que ficam à mostra no lugar não teriam valor no mercado clandestino, diferente do que acontece com as artes sacras.

Prova disso é que Marco Siqueira, coordenador de acervo do Carmo, diz que é impossível mensurar por qual valor a imagem que ficou desaparecida poderia ser vendida, mas diz que seria em torno de R$ 500 mil. Com 12 anjos esculpidos em sua base de 19 centímetros, a imagem tem 53 centímetros de altura e 22,5 centímetros de largura. A peça é do século XVII e atribuída ao Frei Agostinho de Jesus, que seria um dos primeiros escultores a trabalhar no Brasil e teria confeccionado também a imagem de Nossa Senhora Aparecida encontrada no Vale do Paraíba.

“O valor de venda poderia aumentar se fosse levada para fora do país. Se formos analisar a história do Brasil, os registros mais antigos mostram o Frei Agostinho como um dos nossos artistas mais antigos e os registros das peças confeccionadas por ele são ainda do Brasil colônia, entre 1910 e 1920. A imagem tem uma importância a nível nacional e essas características tão especiais dificultam na hora de estipular um valor”, concluiu.