Imprevidência

Diferente de 2015, quando Mogi das Cruzes recebeu 130 mil doses da vacina contra gripe e imunizou 80 mil pessoas, neste ano, em meio ao surto da doença que provocou mortes e a superlotação dos serviços de saúde nas últimas semanas, a Cidade recebeu 98 mil doses. O problema dessa vacinação é conhecido por todos e começa pelo fato de ser uma campanha de saúde restritiva a determinados grupos de pacientes, como idosos e gestantes, quando deveria atender a toda a população. Para piorar, o baixo estoque de doses preocupa, pois poderá impedir o atendimento até mesmo da parcela de moradores considerada, pelo Ministério da Saúde, como prioritária no combate à gripe.Fora isso, a situação replica as dificuldades do poder público em agir diante da antecipação e da gravidade dos casos na área da Saúde. Primeiro foi com a dengue e o fracasso no combate do mosquito Aedes aegypti; agora é com a gripe. Esse surto só não ganhou mais destaque porque o noticiário político e econômico não deixou. Pacientes e familiares que enfrentam ou enfrentaram a gravidade da gripe sabem o que a imprevidência do poder público proporcionou na vida de uma parte considerável da população.
Um dos principais problemas tem sido a falta de informações concretas sobre a amplitude dos casos – muitas pessoas sequer chegaram a fazer exames, outras não sabem os resultados das análises feitas, que podem demorar até dois meses. Essa falta de clareza no diagnóstico, na maneira como serviços públicos e particulares trataram essa gripe e o consequente disse me disse criaram o clima de apreensão e a grande procura pela vacina na rede particular – que também atendeu a demanda. Os laboratórios farmacêuticos não deram conta do recado, e órgãos como a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) não conseguiram liberar lotes de doses vindas do Exterior.
A falta de vacina para atender reflete a insegurança instalada na saúde preventiva e curativa. Cada vez mais, políticas governamentais serão exigidas para dar respostas a surtos provocados por vírus que, na era da globalização, circulam com extrema facilidade pelo mundo. Dos governos municipais, do Estado e federal precisam ser cobrados resultados mais rápidos porque são eles os responsáveis pelo uso do dinheiro dos impostos pagos em troca de serviços públicos de qualidade e eficiência e dos investimentos na pesquisa, produção e distribuição das vacinas e medicamentos.