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Indústria e comércio reduzirão atividades em Mogi

Comércio da cidade de portas fechadas para o novo coronavírus. (Foto: Elton Ishikawa)
Comércio da cidade de portas fechadas para o novo coronavírus. (Foto: Elton Ishikawa)

A partir desta semana, as indústrias e estabelecimentos comerciais da cidade, assim como de todo o Alto Tietê, devem reduzir atividades gradativamente diante do avanço do novo coronavírus. A recomendação conjunta da regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Associação Comercial de Mogi das Cruzes (ACMC) e Sindicato do Comércio Varejista de Mogi das Cruzes (Sincomércio) é para fechamento dos estabelecimentos, com manutenção dos negócios prioritariamente em setores essenciais como farmácias, postos de gasolina e supermercados, assim como nas linhas de produção industriais indispensáveis para garantir o abastecimento da população.

No Distrito Industrial do Taboão, a metalúrgica Costa Navarro Indústria e Comércio já havia anunciado a decisão desde sexta-feira e não funcionará a partir de amanhã, inicialmente por 15 dias. “Na semana passada conseguimos entregar todas as encomendas e agora vamos usar o banco de horas dos funcionários para que fiquem em casa”, explica o proprietário da empresa, Norberto Navarro, 70 anos.

Segundo ele, prejuízos serão inevitáveis à economia. “Este é um momento novo, então, o compasso é de espera e de esperança que tudo se resolva o quanto antes”, avalia Navarro, que atua no ramo industrial há 35 anos.

A medida da empresa vem ao encontro da recomendação do Ciesp, ACMC e Sincomércio divulgada na noite de sexta-feira, após reunião entre representantes das categorias com o prefeito Marcus Melo, presidente do Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat) para diminuir a disseminação do vírus. Para os estabelecimentos que permanecerem abertos, a orientação é seguir medidas de rigor de higiene e prevenção para manter a atividade em condições seguras, como redução/controle no acesso e permanência de pessoas em espaços comuns; flexibilização de horários de trabalho e ampla divulgação dos cuidados necessários para minimizar os riscos de contaminação.

O cenário de incertezas preocupa o empresário José Ramos De Carlo, 74, proprietário da De Carlo Usinagens e Componentes, na Vila São Francisco, que não pretende paralisar atividades, mas adota medidas para prevenir a doença. “Este é um fato novo, mas veio para corrigir maus hábitos. A preocupação surgiu após o Carnaval, mas deveria ocorrer antes. Na empresa, reforçamos a higienização dos banheiros, colocamos álcool em gel em todos os lugares e dividimos os horários de refeições para que apenas duas pessoas se sentem a cada vez nas mesas que têm capacidade para quatro. Não há como parar a produção agora porque preciso atender encomendas, mas estamos atentos ao que acontecerá nos próximos dias”, diz.

Movimento no comércio caiu 90%

O movimento no comércio mogiano reduziu 90%, segundo os lojistas, na primeira semana de reforço das medidas para contenção da disseminação do novo coronavírus em todo o país, que levou à drástica redução de pessoas nas ruas da cidade. Para amenizar os impactos, a Associação Comercial de Mogi das Cruzes (ACMC) pediu nesta sexta-feira à Prefeitura a prorrogação de prazos dos impostos municipais, como IPTU, ISS e taxa de licença.

“Essa medida é essencial para minimizar os riscos de demissões e para que as empresas tenham condições de retomar os negócios quando essa situação passar”, disse o presidente da ACMC, Marco Zatsuga, contando que o prefeito Marcus Melo se comprometeu a estudar a solicitação.

O proprietário da Loja Universal Modas, Gyoji Yura, 68 anos, contou que nunca viu situação semelhante no comércio durante os 57 anos em que a família atua na área. “Ainda não sabemos o que vai acontecer daqui para a frente e nem a extensão disso tudo, mas com certeza todo mundo já está tendo prejuízos e muitos não terão capital de giro para aguentar. O movimento já está 90% menor e poucas pessoas vêm à loja, então, estamos dando folgas aos funcionários que têm direito a tirá-las. Mas não adianta se desesperar. Temos que ter sabedoria e tranquilidade para superar este momento tão complicado”, conclui.

A atual situação causada pela pandemia global também surpreende o comerciante Hyro Cardoso, 73 anos, dono da Marilys Magazine, que atua no comércio mogiano há mais de três décadas. “Nunca passamos por um momento como este e por isso ainda não sabemos muito bem como vai ser daqui para a frente e nem mesmo o que fazer. As vendas caíram 90% e não dá para prever o que acontecerá nos próximos dias. A economia já está sofrendo muito e haverá ainda mais prejuízos. Estamos conversando com os funcionários e colocamos em férias, por exemplo, uma delas, que está grávida. É preciso ter bom senso e não ser radical nesta hora para poder reduzir os riscos e ao mesmo tempo preservar a saúde de todos”, destaca.

Sebrae propõe união e colaboração

Os micros e pequenos empresários devem buscar parcerias e trocar experiências com empreendedores a fim de se prepararem para as próximas semanas. A orientação é do gerente regional do Sebrae-SP, Sérgio Gromik, sobre os impactos da pandemia do novo coronavírus. “É preciso ter senso de urgência, mas não confundir pressa com velocidade. Todos enfrentam incertezas, portanto, a união e a colaboração são de extrema valia. Negócios de todo tipo vão registrar perdas, principalmente os micros e pequenos que têm margem de manobra pequena no que diz respeito a recursos. O objetivo é minimizar o prejuízo”, diz.

Por isso, cada empresário deve analisar sua situação e montar um plano para redução de gastos e destinação de verbas apenas ao essencial. “Não é hora de assumir novos compromissos financeiros. No caso das lojas fechadas, há interrupção brusca nas vendas. É uma medida dura, mas necessária no combate à pandemia. Caso a natureza do negócio permita, o empreendedor deve centrar esforços em sua presença digital, com vendas online e delivery”, aponta.

Gromik avalia que cada negócio irá reagir com suas características próprias e alguns poderão aumentar a produção de itens ligados à higiene e limpeza. “O importante é focar no essencial para sustentabilidade da empresa. Também colocar os funcionários em férias requer cuidados e não é uma solução para todos”, alerta, completando que medidas para trazer fôlego financeiro, diminuindo a pressão no caixa da empresa, são importantes. “Tanto do ponto de vista tributário como de outras naturezas diferenciadas, como gastos fixos com aluguéis, itens de consumo, etc, essa é uma boa oportunidade para conhecer e entender melhor o seu negócio”, orienta.

Antes de contratar financiamento e assumir compromissos, a recomendação do Sebrae é fazer uso consciente do crédito e ter com clareza o propósito e real necessidade de obter dinheiro de fontes externas, ainda que as taxas de juros sejam reduzidas. “Algumas vezes, a alternativa, ao invés de captar recursos, é negociar prazos e descontos com fornecedores, antecipar recebíveis e outras medidas”, conclui.


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