EMPRESAS

Indústrias já começam a dar férias coletivas em reflexo da pandemia

AÇÃO Unidade da GM, no Taboão, iniciou as férias coletivas ontem com previsão de retorno após 12 de abril. (Foto: arquivo)

Empresas ligadas ao setor de peças e de automóveis iniciaram férias coletivas ou estão acertando os detalhes para seguir essa mesma rota nos próximos dias em Mogi das Cruzes e Suzano. Estão neste grupo plantas fabris com um grande número de funcionários, como a NGK do Brasil e a General Motors (GM), e unidades de médio porte, como Tecnocurva, Engesig e Rinnai. Nos próximos dias, deverão aderir ao modelo tradicionais grupos como a AGCO, conhecida pela fabricação de tratores da marca Valtra, de Braz Cubas, e a Komatsu, do mesmo segmento, de Suzano.

Em comum, essas unidades têm o fato de gerarem por volta de mil empregos diretos. Pesaram nas determinações, as definições para a quarentena, e as dificuldades que começaram a surgir para o recebimento de matéria-prima – muitas dessas unidades, são atendidas por fornecedores de outros países, como a própria China, onde a paralisação geral começou no início deste ano.

Alguns acordos para as férias coletivas sequer foram oficializados, conforme explica Paulo Souza, um dos diretores do Sindicato dos Metalúrgicos de Mogi das Cruzes e de São Paulo. “Conversamos por telefone com diretores de empresas como a Engesig, Rinnai e Tecnocurva, porque o Sindicato também está fechado desde o último dia 20 e tem o retorno das atividades previsto para o próximo dia 6 de abril. Isso, se a quarentena for afrouxada”, comentou ele.

O sindicalista contou que essas unidades geram entre 250 e 350 empregos diretos, e que deverão pagar parte dos salários aos trabalhadores. Nesse caso, segundo Souza, foi realizado acordo entre os trabalhadores e as direções das empresas em função do caráter excepcional do combate ao novo coronavírus, que transmite a Covid-19.

Alguns setores dessas e de outras empresas estão ativos, por meio dos funcionários que trabalham de casa. Já estavam agindo assim, empresas como a Petrom, instalada na Vila Moraes, que reduz a presença de trabalhadores, com a implantação do revezamento e home office.

A unidade da General Motors, no bairro do Taboão, iniciou as férias coletivas ontem. Os cerca de 400 trabalhadores permanecerão em casa até 12 de abril.

Ontem, o advogado Jorge Carlos Júnior, da Komatsu do Brasil, em Suzano, disse que estavam sendo acertados os detalhes para as férias coletivas, a serem iniciadas nos próximos dias. Fabricante de tratores, a empresa é uma das principais geradoras de trabalho em Suzano: cerca de 1,2 mil postos.

Em Mogi das Cruzes, a AGCO/Valtra deverá iniciar o período de férias coletivas no próximo dia 4 abril. A planta mogiana fabrica tratores e tem cerca de mil colaboradores diretos e terceirizados.

A Suzano, de papel e celulose, mantém as atividades, com a adoção de medidas para preservar a saúde dos colaboradores que continuam trabalhando, e a suspensão de atividades operacionais não essenciais, com o trabalho remoto de profissionais.

O grupo produz matéria-prima para a indústria de produtos de higiene essenciais, como máscaras, papéis sanitários, embalagens descartáveis e outros. Em Suzano, possui 3,1 mil colaboradores, sendo 1,9 mil trabalhadores diretos. Entre as medidas adotadas para manutenção das atividades está a medição de temperatura dos trabalhadores, maior espaçamento entre mesas e bancadas de trabalho e a entrega de refeições individuais.

A diretoria regional do Ciesp não possui dados sobre quantas e quais empresas suspenderam as atividades nas últimas semanas no Alto Tietê. Tem recomendado a adoção de medidas de proteção aos trabalhadores, de acordo com a realidade de cada empresa. O grande temor são os reflexos da paralisação do polo produtivo e da economia na vida das empresas e pessoas. O diretor regional, o empresário Francisco Caseiro, divulgou nota em que diz não ter como mensurar a extensão dos impactos econômicos a serem enfrentados pelo país. Ele defende medidas governamentais como a postergação do pagamento de impostos, redução de juros e ampliação de linhas de crédito.


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