EDITORIAL

Infância, droga e pancadão

Infância e juventude estiveram no foco do noticiário desta semana de uma maneira extremamente preocupante. Ao invés de estarem na escola, crianças e adolescentes permanecem nos semáforos vendendo balas ou pedindo esmolas. Cresce o consumo de álcool e drogas em determinados pontos da cidade e nas festas conhecidas como pancadões, a despeito da legislação que proíbe a venda a quem tem menos de 18 anos. A situação chega a tal ponto que comerciantes vão à Prefeitura cobrar uma solução, o rigor na fiscalização, que poderá de alguma forma também afetá-los.

Ambas situações são velhas conhecidas da rede de atenção à infância e a juventude, formada pelos poderes Executivo, Judiciário e Legislativo, e ongs e associações educacionais que têm exercido um papel muito importante na proteção dessa parcela da população.

A questão é o tamanho desse problema que, quando chega às ruas, reprovou no teste de responsabilidade e acolhimento dessas novas gerações a família, a escola e o estado.

Nos semáforos, o exemplo do que estamos falamos. A Secretaria Municipal de Assistência Social acompanha o grupo formado por 36 crianças e jovens nas ruas. Atua em casos extremos, como o das quatro meninas que estavam vivendo nos semáforos e foram encaminhadas para o acolhimento institucional porque foram esgotadas as possibilidades de mantê-las com a própria família.

Nas ruas, além de flertaram com a criminalidade e a prostituição, esses mogianos estão fadados a outros destinos como acidentes e a evasão escolar.

Como em outras oportunidades que o assunto veio à tona, este jornal volta a refletir sobre a incapacidade do governo municipal e demais agentes públicos em atender a um grupo tão pequeno de cidadãos: menos de 50 crianças e jovens.

Além da transparência dada a esse drama social, é preciso fazer mais: fiscalizar mais, agir para salvaguardar, cumprir a lei, o Estatuto da Criança e do Adoleslcente: lugar de criança e adolescente não é no semáforo.


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