EDITORIAL

Inferno astral

Neste final e início de ano, o que vive a Rodovia Mogi-Bertioga – e quem dela precisou – pode ser comparado a um inferno astral. E olha que estamos a cinco meses de maio, quando a estrada faz aniversário, o 36º.

Desde o Natal, o tempo bom, as folgas e férias de muitas categorias profissionais, a melhoria da economia, a possibilidade da emenda do feriado de Natal e Ano Novo, ambos numa terça-feira, e sabe-se lá o porquê mais, a estrada teve congestionamentos e lentidão recordes. O verbo está no presente, porque o problema prossegue depois do réveillon, e deverá ser sentido nos próximos meses de calor.

Em anos anteriores, essa mesma situação foi compactada em dias específicos, na véspera e no retorno do feriado. No verão de 2018 para 2019, a história foi outra. O congestionamento mais pesado isolou moradores de bairros vizinhos durante cinco dias seguidos. E ontem, o tráfego pesado ocorreu nos dois sentidos, durante todo o dia. Anteontem, quem deixou o litoral à noite, levou quase três horas para fazer o trajeto.

Culpados? Há sim. A Mogi-Bertioga não recebe do Governo do Estado a atenção que merece. Construída para realizar um sonho dos mogianos, hoje ela é opção dos paulistas.

Não falamos aqui, nem mais de uma duplicação. Por que esse desejo não cabe mais aos mogianos – dá para fazer? Sempre dá, mas quem fará, como e quando fará?

Falamos aqui em inteligência de gestão, compromisso com o usuário, respeito ao cidadão. Se já sabemos que um grande número maior de pessoas está ou vai utilizar a Mogi-Bertioga, em determinados horários, é preciso adotar alguns paliativos. Quais paliativos? Quem precisa responder isso é o estado, são os técnicos do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), a Polícia Rodoviária. O cidadão paga os impostos para ser bem tratado quando pega uma estrada para ir para a praia, onde também ele vai gerar gastar e… gerar mais impostos para o mesmo estado.

Uma sugestão seria testar o sistema pare e siga, deixando uma faixa de subida e duas para a descida, nos horários nevrálgicos, porém, com uma ampla e boa comunicação ao usuário, para que também ele se programe para descer e subir.

Tempos passados, o Governo do Estado garantiu a este jornal, em uma resposta a cobranças como essas mesmas, que fazemos agora, que tal medida é adotada. Incrível que usuários rotineiros nunca vejam tal operação. Aliás, policial rodoviário só é encontrado nos postos fixos, onde a fiscalização aborda infratores. O que se vê são vários guinchos, que ajudam a solucionar os problemas causados pelos carros parados.

O governador João Doria acenou, em campanha, com a privatização da Mogi-Bertioga. Mas, o que temos hoje é desalento, a começar com os interlocutores de Mogi das Cruzes – líderes de bairro, vereadores, deputados, etc. Ninguém moveu uma palha desde que os congestionamentos começaram a isolar bairros e distritos, os passageiros e motoristas são duramente desrespeitados e penalizados com o esgotamento do caminho da praia.