EDITORIAL

Infodemia

A palavra surgiu na pandemia, mas o conceito vem sendo estudado desde a década de 1970 quando o excesso de informações passou a ser observado pelos impactos negativos e positivos da disseminação de fatos e situações verdadeiras, ou não.

Em março, a Organização Mundial de Saúde, a OMS, definiu uma nova palavra, a infodemia como um “dilúvio de informações – precisas ou não – que dificultam o acesso a fontes e orientações confiáveis”. A infodemia é uma segunda pandemia dentro da crise de saúde mundial.

Em nossa edição de ontem, para ficar em apenas uma, uma parte deste processo baseado apenas em informações creditadas a instituições oficiais confirma uma nova fase do combate ao coronavírus.

Não se sabe como serão os dias seguintes à liberação das atividades comerciais. A estabilização dos índices da contaminação dependerá muito da consciência individual porque há um abrandamento do rigor do estado na fiscalização da quarentena.

Apesar disso, os primeiros testes de vacina, como a produzida pelo Instituto Butantan e o laboratório chinês, Sinovac Biotech, que começou a testar o produto em março passado na China, indicam a celeridade de um passo definitivo para o controle dessa doença.

Além da descoberta de um tratamento seguro, a imunização em massa será condição para a virada desta página mundial.

Outra notícia encontrada no interior da pesquisa feita pelo Ciesp Regional mostra que, entre as fábricas, 63% conseguiram manter o quadro de funcionários, contra 33% que tiveram de demitir. Há um saldo positivo a ser considerado, diante da parada generalizada do consumo e produção de bens.

Há sentimentos de desconfiança, medo e descontentamento no noticiário. Mas também se enxerga esperança, mobilização e resultados positivos. A interpretação da realidade atual, com a flexibilização da quarentena e os dados ainda altos de mortes e contaminação, requer razão, cautela e responsabilidade.

A pandemia cobra da ciência, do estado e também da mídia, onde O Diário se encontra, urgência na divulgação de dados e nas decisões tomadas para se preservar a vida. Mesmo diante de inegável urgência, de nossa parte, este jornal segue prezando pela missão estabelecida desde a fundação, 63 anos atrás: o compromisso com a informação, a prestação de serviços e a construção de uma sociedade justa.


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