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Folclore Político (CXV)

Folclore Político (CXV)

“Me traga o sanguíneo!” Muito antes de vir para Mogi das Cruzes, onde fez brilhante carreira na área da Medicina e transitou com desenvoltura pela política,
como vice-prefeito de Waldemar Costa Filho, o cearense Melquíades Machado Portela, residia em Crateús. Descendente de família cristã e afeita às solenidades religiosas de todos os domingos na principal igreja da cidade, o jovem Melquíades logo se tornou o ajudante preferido de Padre Lima, o recém-ordenado pároco local. Padre Lima era o apelido que o sacerdote Manoel Bezerra de Melo
havia herdado do sobrenome de seu pai, Manoel Bezerra de Lima Filho, que, por sinal, é como se chama a avenida que passa entre o Mogi Shopping e a UMC, aqui em Mogi.
Pois num domingo de missa, já no altar, o padre chamou o coroinha de lado e lhe disse: “Melquíades, vá até a sacristia e traga-me o sanguíneo”. O ajudante tremeu na base. Afinal,
nunca ouvira falar no tal sanguíneo e, em plena cerimônia, com a igreja lotada, não havia tempo – e nem condições – de indagar ao sacerdote, que diabos seria a tal encomenda. Pernas bambas, lá foi ele, em silêncio, para a sacristia, local onde eram guardados os paramentos e outros acessórios utilizados nas cerimônias religiosas ali celebradas. Pensou por alguns instantes e, por fim, acabou levando
para o padre uma enorme toalha que encontrou por lá, numa das gavetas. O Padre Lima não conseguiu conter o riso, mesmo diante dos fiéis frequentadores da celebração. Somente depois da missa, Melquíades ficou sabendo que o sanguíneo era apenas um lencinho comprido, com uma cruz desenhada numa das extremidades, normalmente usado pelo sacerdote para limpar o cálice do vinho, tomado durante as missas. Melquíades e Bezerra, ainda bons amigos, costumam se divertir muito, toda vez que a história é lembrada durante suas conversas entre amigos.

Com o papa

A propósito da saudação e bênção dirigidas pelo papa Francisco a Mogi das Cruzes, durante esta semana, vale lembrar uma história contada pelo jornalista Sebastião Nery, envolvendo um político da Paraíba. Rui
Carneiro, raposa da política paraibana, era candidato a senador pelo PSD, em 1955. A UDN tinha apoio dos comunistas. Rui esteve na Europa, voltou, foi fazer o primeiro comício da campanha: “Paraibanos, estive em Roma com o papa. Ele me cochichou:‘Rui, se destruírem meu trono aqui no Vaticano, sei que tenho um grande amigo lá na Paraíba. Vá, dê lembranças à comadre Alice e diga ao povo que estou com você’”.
Ganhou a eleição.

Mineirices

O ex-governador Geraldo Alckmin contou que, certa vez, o famoso político mineiro, José Aparecido, um dia chegou à sua Conceição do Mato Dentro e iniciou a romaria dos amigos. Entrou um coronel, mansos passos e chapéu na mão: “Bom dia, doutor. Boa viagem?” E ele: “Boa. Como vão as coisas?” O coronel: “Tudo correndo como de costume. Novidade aqui nunca tem e lá pra fora não sei, porque minha televisão está  efeituada.” Aparecido quis saber o que houve com o aparelho e o interlocutor foi rápido e preciso: “Não sei não. Às vez farta prosa, às vez farta feição”

Expectador

Mais uma atribuída à verve caipira do excelente contador de causos, Geraldo Alckmin. Reunião de vereadores com o chefe político da região numa pequena cidade do interior. Cada um podia falar sobre os  problemas do município, reivindicações, sugestões, etc. Todos falaram alguma coisa, com exceção de um deles, meio acabrunhado no canto da sala. O chefe político cobrou dele a palavra: “E você, amigo, não tem nada a dizer?” O vereador, tonto com a provocação, não teve saída. Respondeu: “Não, doutor, tou apenas expectorante”. A gargalhada foi geral.

Cuíca ou quiçá?

Esta foi contada pelo consultor Gaudêncio Torquato, em suas “Porandubas Políticas”. Benedito Valadares, governador de Minas, foi a Uberaba para abrir a Expozebu. E passou a ler o discurso preparado pela assessoria. A certa altura, mandou ver: “Cuíca daqui saia o melhor gado do Brasil”. Ali estava escrito: “quiçá daqui saia o melhor gado”. A imprensa caiu de gozação. Passou-se o tempo. Tempos depois, em um baile na Pampulha, o maestro, lembrando-se do famoso discurso na terra do zebu, começou a apresentar ao governador os instrumentos da orquestra. Até chegar na fatídica cuíca. E assim falou: “E esta, senhor governador, é a célebre cuíca”. Ao que Benedito, querendo dar o troco, redarguiu com inteira convicção: “Não caio mais nessa não. Isto é quiçá!”

 

JUNTOS Bezerra de Melo e Melquíades Portela são amigos desde os tempos
em que ambos viviam em Crateús, no Ceará, de onde migraram para Mogi


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