EDITORIAL

Informalidade qualificada

No ano passado, quatro a cada dez brasileiros trabalharam por conta própria, grande parte deles, em atividades que não condiziam com a formação profissional. Embora resulte da crise econômica e dos recordes do desemprego, essa explosão da informalidade passou a sera ser medida em 2016 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Em dezembro, o IBGE mostrou que o trabalho por conta própria ou o empreendedorismo, palavra que passou a denominar tal prática, abrigou 41% das pessoas ocupadas, ou 38,8 milhões de brasileiros. Dentro desse número, um contingente formado por 714 mil trabalhadores ingressou nesse mercado apenas em 2019.

Em Mogi, a atividade informal tem sido qualificada por cursos dados pela Prefeitura a quem se abriga em um guarda-chuva que não será fechado tão cedo.

A procura pelas inscrições dos cursos do Crescer (Centro Municipal de Apoio à Educação de Jovens e Adultos) confirma essa tendência. Foram 26.278 inscrições para as 6.140 vagas abertas neste início do ano. Ou seja, 4 candidatos por vaga.

Os cursos e equipamentos como a Escola de Inovação e Empreendedorismo são um acerto da Prefeitura. É um sucesso também por outros ganhos sociais. Aprender sempre qualifica a vida da comunidade.

Porém, há de se zelar pelo futuro dessas pessoas. Com perdas como a instalabilidade na remuneração e a alta carga de trabalho, a informalidade é um modelo desconhecido. É uma necessidade e opção para o ganho imediato e a sobrevivência de quem não consegue um emprego com carteria assinada que flerta com o desamparo futuro.

Muitos desses trabalhadores, depois dos primeiros passos, precisam ser direcionados para programas como o Microemprendedor Individual (MEI), garantir a aposentadoria dessa parcela de pessoas. Sem isso, o custo da informalidade pode ser pesado demais para o poder público daqui a alguns anos.


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