EDITORIAL

Injustificável

Ainda muito conhecido por ter abrigado o Caic (Centro de Atenção Integral à Criança), o Cempre Benedito Ferreira Lopes é uma escola municipal modelo, a única a oferecer os 5º e 6º anos do Ensino Fundamental em Mogi das Cruzes. Pesquisas de campo e avaliações oficiais notam uma queda no ciclo de desenvolvimento e até de interação social do aluno quando ele deixa a rede municipal e ingressa no ensino estadual.

O Cempre Benedito Ferreira Lopes chegou a esse status graças a uma campanha feita por um grupo de pais, no passado – eles conseguiram sensibilizar o governo municipal sobre a necessidade de se manter sob o mesmo guarda-chuva da Prefeitura os alunos do 5ºe do 6º, atrasando, um pouco mais, a ida para a rede estadual. A maior parte dos mogianos segue para a rede estadual nessa etapa da vida educacional, e vive uma ruptura muito sentida e contornada apenas com o tempo por pais e educadores no atual sistema educacional. Quem sabe no futuro, os municípios tenham interesse e recursos para assumir plenamente os dois ciclos de ensino.

Pois nessa mesma unidade ocorre uma falha estrutural histórica, que voltou a ser problema nessa semana. Construído há 31 anos para atender os alunos da região da Vila Lavínia que registrou um franco processo de expansão populacional na década de 1980, com a execução da primeira unidade de apartamentos populares da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano), o Caic começou a funcionar com uma fossa séptica. Naquele momento, ainda não havia a rede de esgoto naquele terreno. A manutenção desse modelo fere a imagem de Mogi. Mesmo se a escola ainda estivesse sob a responsabilidade do estado. São crianças de Mogi que estão ali.

A estrutura do antigo Caic foi assumida pela Prefeitura (assim como aconteceu com escolas como a Coronel Almeida, no Centro) e o que era esperado – a ligação diretado esgoto à rede municipal não foi providenciada. Aliás, nem há data para isso, segundo informou anteontem a Prefeitura.

As fossas septicas são consideradas uma alternativa para as áreas urbanas desprovidas de rede de esgotos e devem ser substituídos assim o endereço que recorre ao sistema passa a contar com tal estrutura. É o que diz a Prefeitura, em seu site, na apresentação do serviço de limpa-fossa, solicitado quando o reservatório de detritos atinge a capacidade máxima.

Com 640 alunos, em turno integral, imagine a facilidade para se atingir a capacidade dessa fossa. E imagine a situação vexatória para professores, merendeiras e alunos quando os dejetos são liberados durante um vazamento. Nada justifica o descuido com essa situação. Nada.