EDITORIAL

Insegurança

O enfraquecimento das bases comunitárias é percebida por moradores e comerciantes

Independentemente de se adotar comparações quantitativas e qualitativas sobre as ocorrências criminais, um fato inquestionável está em jogo no debate da segurança pública na cidade. As pessoas vivem inseguras.

No mês passado, em Mogi, 57 pessoas, quase duas por dia, enfrentaram a difícil situação de voltar para o lugar onde deixaram os carros estacionados e não os encontrarem mais porque ladrões chegaram primeiro. Além disso, 24 mogianos foram vítimas do roubo de veículos no mesmo período.

A população vive desconfortável, temerosa. Alguns dos locais onde os furtos acontecem integram uma zona de risco independente do horário do dia – o que reforça a sensação de insegurança vivida pelos mogianos. Pesquisas apontam a falta de segurança como o principal problema em Mogi das Cruzes.

No decorrer dos meses, há uma oscilação para mais e ou menos nessa modalidade. Porém, não há como conceber um estado de normalidade defendido por responsáveis pelas polícias Civil e Militar.

Essa percepção não pode ser desconsiderada porque o cidadão sente o que está acontecendo. O atendimento nas delegacias sofre com o desmonte das equipes. Há menos delegados, investigadores e atendentes. E isso implica diretamente não apenas na atenção presencial, reduzida em determinadas delegacias, mas nas investigações sobre as autorias dos furtos, roubos, etc.

Essa desestrutura está afetando operações estratégicas para aperfeiçoar o policiamento preventivo. O enfraquecimento das bases comunitárias é sentida por moradores e comerciantes, e isso prejudica o diálogo rápido entre o cidadão e a polícia.

A convivência entre os policiais e os moradores possibilita o esvaziamento e desarticulação das organizações criminosas. Favorece outro fator que combate a sensação de insegurança porque inibe a instalação desses grupos em pontos de tráfico de drogas, por exemplo.

Não se vê a adoção de medidas alternativas e contundentes para minimizar os pontos negativos provocados pela redução do atendimento ao público nas delegacias e bases comunitárias.

A Polícia Militar nega um problema histórico, admitido por poucos comandantes em momentos de questionamentos públicos: a falta de policiais. Segundo a corporação, os postos fecham porque os policiais estão atendendo alguma ocorrência. É algo controverso. Se há policiais em número suficiente, por que está crescendo o número de furtos de carros e, mais grave ainda, muitas vezes, nos mesmos endereços?

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