IS 250 tem aura de exclusividade

Os modelos da Lexus ainda são raros nas ruas brasileiras. Obviamente, o objetivo da marca é crescer e aparecer. Mas sem pressa. A montadora japonesa entrou no mercado de luxo no Brasil apenas com versões completas e mais requintadas de seus modelos. Ou seja: briga no topo de cada segmento. Esse posicionamento é quase uma tradição. A divisão de luxo da Toyota foi criada basicamente para o mercado americano, com a proposta de ficar acima das marcas alemãs, como Mercedes e BMW, ou mesmo norte-americanas, como Cadillac e Lincoln. E isso explica a exclusividade dos modelos. O IS 250, por exemplo, é oferecido no Brasil em duas versões. Mas a maior parte de seus emplacamentos vem da F-Sport, justamente a mais completa e mais cara.
O sedã médio chegou ao país em setembro de 2013 com uma função clara: rivalizar com a concorrência alemã, principalmente nas versões de topo do BMW Série 3 e Mercedes-Benz Classe C. Mas não se trata de um carro para render volume de vendas. As previsões da marca, aliás, seguem modestas no país. A intenção é emplacar cerca de 100 unidades mensais de toda a sua gama, composta por seis modelos. Para o sedã, a meta era que cerca de oito exemplares fossem vendidos por mês. Dito e feito. Foram 164 IS 250 comercializados desde o lançamento em 2013 até o final de abril deste ano. Exatamente oito a cada 30 dia.

Esteticamente, o sedã ostenta um design contemporâneo e com traços de ousadia típicos da atual identidade visual da marca. Na frente, se destacam a grade em forma de ampulheta, as luzes diurnas de LED e o farol em formato da letra “L”, que evoca a logomarca da empresa. Já no perfil, de linhas sinuosas, dois vincos bem marcados dão personalidade. A traseira recebe lanternas horizontais bem esticadas e o logo da Lexus em evidência no centro superior da tampa do porta-malas.

Para movimentar o sedã médio, a Lexus o equipa com um V6 de 2.5 litros capaz de render 208 cv de potência e torque de 25,2 kgfm. O propulsor trabalha em conjunto com uma transmissão automática de seis velocidades. A força gerada é toda enviada às rodas traseiras, o que confere uma personalidade esportiva ao modelo.

As diferenças entre a versão Luxury e a “top” F-Sport são significativas. Por fora, uma grade exclusiva incorpora acabamento com detalhes em losango a mais cara. Os cantos inferiores dos para-choques dianteiros ganham detalhes aerodinâmicos que permitem um resfriamento mais eficiente dos freios. As rodas exclusivas de 18 polegadas possuem raios em forma de Y, assumidamente inspiradas no esportivo LFA.

A influência do esportivo aparece ainda no painel de instrumentos, projetado em uma tela digital. Ali, os instrumentos virtuais, compostos sempre por um conta-giros analógico com um velocímetro digital no interior, podem ser deslocados para o lado, para dar mais destaque ao computador de bordo. Já no interior, o acabamento recebe alumínio escovado e revestimentos em couro nas cores preta, cinza claro e vermelha. Para completar, a configuração de topo é equipada com um gerador de som que ajuda a criar um ronco mais esportivo do motor.

A lista de itens de série é farta e contempla equipamentos como central multimídia com TV digital, navegador GPS e até 10 airbags. Mas a Lexus sabe cobrar bem por tamanho requinte e cuidado. A configuração de entrada custa R$ 182.600, enquanto a F-Sport adiciona R$ 14 mil à conta. Com uma etiqueta de preço assim, não é difícil manter a ideia de exclusividade que a fabricante japonesa ostenta no país. (Márcio Maio/AutoPress)

 

 

PONTO A PONTO
Desempenho – O Lexus IS 250 é movido por um motor V6 de 2.5 litros que desenvolve 208 cv e 25,2 kgfm, potência e torque suficientes para conferir ao modelo uma boa dose de esportividade. Não falta força e as acelerações são homogêneas e decididas, apesar de o torque máximo só aparecer a 4.500 rpm. O propulsor ganha essas rotações com agilidade e a transmissão automática de seis marchas é bastante competente. O zero a 100 km/h é cumprido em corretos 8,1 segundos. Nota 9

Estabilidade – O sedã médio da Lexus mostra-se um carro bem estável. Não é preciso se esforçar para mantê-lo na linha traçada pelo condutor. Os quatro pneus colam bem no chão e, mesmo em velocidades altas ou curvas, os controles eletrônicos de segurança quase não precisam dar as caras. As rolagens de carroceria são imperceptíveis e a sensação de controle do carro é constante. Nota 9

Interatividade – O cockpit e os bancos formam um conjunto que envolve o motorista, que praticamente “veste” o carro. Há muitos comandos e funções para serem explorados. Mas basta uma leitura mais atenta e alguns minutos de interação para se sentir à vontade no interior do sedã. Tudo é de uso intuitivo e até instigante. O ar-condicionado tem controle em superfície sensível ao toque e a tela central é comandada pelo tradicional controle da Lexus, que parece um pequeno joystick. Bancos dianteiros têm todos os ajustes elétricos, assim como os de altura e profundidade da direção. A transmissão automática de seis marchas conta com borboletas no volante para trocas manuais. Nota 10

Consumo – A Lexus não enviou uma unidade do IS 250 para as medições do Programa Brasileiro de Etiquetagem do InMetro. Durante a avaliação, a média combinada, que envolve trânsito urbano e rodoviário, registrada pelo computador de bordo foi de 8,2 km por litro de gasolina. Nota 6

Conforto – O entre-eixos de 2,80 metros contribui para o bom espaço interno. Os bancos revestidos em couro recebem bem seus ocupantes e o isolamento acústico é bom. Com o pacote F-Sport, há um gerador de som que ajuda a criar um ronco mais esportivo quando o pedal do acelerador é carregado com vontade. Quatro pessoas viajam confortavelmente. Inserir um quinto passageiro em um trajeto curto não compromete o conforto, mas não é recomendável se a situação for uma viagem de horas. Nota 9

Tecnologia – O sedã é farto no que diz respeito a itens tecnológicos. Além dos confortos básicos de um modelo premium, há sistema de multimídia com tela LCD de sete polegadas com rádio, CD, TV digital, DVD, USB, câmara de ré, GPS e Bluetooth, assistente de partida em rampas, piloto automático, sensores  de chuva e estacionamento, abertura das portas e partida do motor por botão, teto solar elétrico, ar-condicionado dual zone, 10 airbags e controle eletrônico de tração e estabilidade. Nota 9

Habitabilidade – O sedã é espaçoso. A área para pernas e cabeça atrás é boa, mas os nichos disponíveis para alojar objetos pessoais não são tão práticos. É necessário recorrer aos bolsões das portas. O porta-malas carrega 480 litros e o teto solar ajuda a ampliar a sensação de espaço dentro do modelo. Nota 8

Acabamento – A versão testada, com pacote F-Sport, tem revestimentos em couro vermelho e detalhes em alumínio escovado. Os encaixes são perfeitos e a mistura dos tons escuros com a cor rubra ajuda a equilibrar a sobriedade do interior, que conta com o tradicional relógio analógico da marca japonesa. O pacote F-Sport inclui ainda pedaleiras cromadas. Nota 9

Design – A grade em forma de ampulheta confere uma cara moderna ao sedã médio da Lexus. As luzes diurnas em LED são separadas do farol e têm formato similar ao da logo da empresa, um “L”. O perfil se destaca pelas linhas levemente curvadas, que transmitem uma ideia de velocidade. Já a traseira é sóbria, com lanternas horizontais com ângulos bem agudos. É um visual que agrada. Nota 8

Custo/benefício – O Lexus IS 250 parte de R$ 182.600, mas chega a R$ 196.600 em sua configuração mais cara, com o pacote F-Sport. Um Mercedes-Benz C250 Sport entrega 211 cv e 25,5 kgfm e parte de R$ 195.900. A BMW pede R$ 203.950 pelo seu 328i Sport GP ActiveFlex, com 245 cv e 35,6 kgfm. Nenhum deles é barato, mas além de custar menos que os rivais de nível semelhante e ter uma sólida construção japonesa, o Lexus oferece um grau de exclusividade maior, já que pouquíssimas unidades da marca rodam pelo Brasil. Nota 6

Total – O Lexus IS 250 F-Sport somou 83 pontos em 100 possíveis.


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