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Itaquaquecetuba é a cidade com maior número em queda de raios no Alto Tietê

Durante os fortes temporais, as pessoas devem buscar abrigos para prevenir acidentes (Foto: divulgação)

Desde o ano 2000, 14 pessoas morreram vítimas de raios no Alto Tietê, segundo o Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O caso mais recente foi registrado na última quarta-feira, em Arujá, quando pai, filho e sobrinho possivelmente foram eletrocutados por um raio, enquanto estavam em uma casa de madeira, no Parque Rodrigo Barreto.

No dia do incidente, segundo o Elat, 30 raios caíram na cidade, entre 12 e 16 horas. O acidente com a família foi às 15h. Itaquaquecetuba é o município da região com a maior incidência de raio no Alto Tietê, com incidência de 15,33 raios por km² anualmente, o que a coloca no terceiro lugar em todo o estado. No entanto, a cidade teve apenas uma morte, registrada no ano de 2003. Mogi das Cruzes ocupa a sexta posição na região, com a incidência de  11,46 raios km² por ano.

O professor de eletroeletrônica Faustino Hiroshi Nakagawa explicou que ultimamente as chuvas estão muito fortes, por isso as nuvens estão mais carregadas e o atrito entre elas gera uma os raios. “Quanto maior essa quantidade de nuvens carregadas de água, a tendência é que elas também fiquem carregadas com essa eletricidade estática. O raio é uma combinação de atrito da partículas de água com o ar, ou de água com a água”, explicou.

No caso de locais descampados, como no da família de Arujá, que estava no alto de um morro próximo à mata, há maior incidência de raios. “Essa descarga perto de casa, praia, piscina, quando há uma área muito grande em volta, a construção é o ponto mais alto e fica sendo o alvo. No caso de Arujá, tudo indica que as vitimas estavam em cima do barranco, e foram atingidos”, esclarece.

Neste caso, orienta Nakagawa, o ideal seria colocar um para-raio, porque não existe um sistema de proteção que seja 100% seguro, mas ele vai amenizar em cerca da 95% a probabilidade de receber uma descarga direta, em um raio de até 20 ou 30 metros. Tem também a descarga indireta, ela atinge uma rede elétrica e pode até causar um curto-circuito. “Se você estiver mexendo em algum eletrodoméstico pode até tomar o choque. Para isso, existe um dispositivo para instalar na rede elétrica de casa, para evitar este tipo de situação”, orienta.

Já em relação às crianças que morreram, que estavam no primeiro pavimento da casa, o especialista explica que se é uma casa de alvenaria, com parede de concreto ou coisa assim, é muito difícil os moradores serem atingidos, mas isso pode acontecer. “Lá era uma casa bem pequena, a descarga do raio tem um valor muito alto, então toda aquela região fica eletrificada, e eles estavam dentro. Parece que não foram encontradas indícios de queimadura nos corpos das crianças, mas tem grande possibilidade delas terem sido atingidas”, diz.

Nakagawa alerta ainda que é preciso procurar abrigo durante tempestades em áreas abertas. É importante se dirigir para locais cobertos, como escolas, comércios e casas. “Debaixo de árvores, barracas ou tendas, nem pensar em se abrigar durante chuva.” Praias e piscinas devem ser evitadas durante tempestades.

Os corpos de João Batista Alves dos Santos, de 40 anos, do filho dele João Pedro dos Santos, de 10 anos, e do sobrinho Alan dos Santos, de 12 anos, foram velados no Velório Municipal de Arujá na última quinta-feira e sepultado no Cemitério Municipal II.


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