ARTIGO

Já deu!

Laerte Silva

É pouco o tempo de governo, mas o suficiente para cansar boa parte da população. O presidente Jair Bolsonaro por suas falas “incendeia” a tranquilidade brasileira ao comprar brigas e tratar as coisas como se estivesse lidando com seus assuntos domésticos, ou ainda, como se estivesse no parlamento, ou em campanha.

Deveria saber que recebeu votos pelo desejo de mudança de viés ideológico de governo e por ausência de opções, não porque virou o queridinho da nação. Ledo engano se ainda se sente inebriado por isso. O tempo de falar sem consequências acabou há meses, mas tenta sustentar uma narrativa de palanque que não respeita nem mesmo os ministros escolhidos.

Já deu ! O senhor presidente precisa entender que o Brasil precisa superar a crise econômica, reduzir o desemprego e que não são mensagens nas redes sociais que farão isso. A atividade econômica não surpreende, mesmo dando-se um desconto ao fato de que o país chegou às suas mãos quebrado. Necessita de assessores que não coloquem gasolina na fogueira, mas o aconselhem ao exercício da diplomacia e menos verborragia.

O jogo de cena de troca de gentilezas com o ministro Sergio Moro não empolga e isso não afasta a necessidade de negociar com o Congresso Nacional os interesses da pasta da Justiça. É também lamentável que toda vez que se manifesta há sempre uma agressividade, não admite ser contrariado, o que é péssimo do ponto de vista do ambiente democrático que tanto se quer manter.

Trabalho, muito trabalho é o que há e o presidente parece não se dar conta da grandeza do seu cargo e da importância das palavras que profere. Também pelas decisões que toma, como a de dar o “filé” da embaixada em Washington-EUA ao seu filho.

Mais do que polarizar com o presidente da França, Emmanuel Macron, ainda que tenha certa razão no seu discurso, isto não afasta o fato de que eleito, os problemas nacionais agora são dele, Jair Bolsonaro, que arrumou um bom modo para animar seus seguidores, mas não o bastante para tranquilizar. As queimadas na Amazônia sempre aconteceram, é fato, o que não pode é desprezar ajuda externa ofertada espontaneamente. Não se trata de vender a Amazônia a prestação, mas de aproveitar a ocasião e suprir o caixa baixo mostrando ao mundo que é possível sim manter a soberania fazendo o dever de casa.

Laerte Silva é advogado