BATIZADO DO BOI

Jabuticaqui celebra a cultura maranhense

Neste domingo, o grupo promove o “Batizado do Boi”, segundo ato de uma trilogia iniciada em abril, na Escola de Samba Águia de Prata. (Foto/ divulgação)
Neste domingo, o grupo promove o “Batizado do Boi”, segundo ato de uma trilogia iniciada em abril, na Escola de Samba Águia de Prata. (Foto/ divulgação)

Com orgulho em receber representantes da cultura maranhense, o Jabuticaqui, em parceria com a Associação do Casarão da Mariquinha e a Escola de Samba Águia de Prata, realiza neste domingo, das 17 às 20 horas, o “Batizado do Boi”, segundo ato da trilogia iniciada em abril, com o nascimento do animal. A programação representa o folclore nordestino, reunindo dança, música e teatro e tem o apoio do Governo do Estado de São Paulo por meio do Programa de Ação Cultural (ProAC).

Diferente do evento realizado no último Sábado de Aleluia, quando foi celebrado o “Nascimento do Boi”, dessa vez o Jabuticaqui não tocará, mas dançará ao lado das caixeiras da Família Menezes, vindas do estado do Maranhão, de onde vêm também os padrinhos da cerimônia, Tião Carvalho e Bartira Menezes.

Uma das idealizadoras e fundadoras do grupo, a mogiana Neide Maranhão explica a importância de receber tais nomes em solo mogiano. “Todo batizado tem padrinhos, e esse ano recebemos o Tião, que é um artista multicultural, dançarino, poeta, ator e nosso mestre, responsável por trazer estas manifestações à São Paulo, e também Bartira, que pertence as caixeiras que participam da Festa do Divino maranhense”.

Ou seja, neste ano, as atividades realizadas pelo Jabuticaqui são especiais. “Queremos divulgar essa cultura, e nosso trabalho está sendo reconhecido”, diz Neide. Mas que trabalho é esse? “Pesquisamos a tradição e manifestações maranhenses, principalmente o Boi, que nasce em abril, é batizado em junho, no dia de São João e morre no final do ano, para nascer no próximo”.

Além de ser colorido e movimentado por uma pessoa que se reveza com outras ao longo do evento, o boi tem personalidade e nome: Estrela Míuda, com sobrenome “itinerante”. Neste 2019, trata-se de “Estrela Miúda Encanto de São João”, mas já teve os títulos “do Amor”, “da Serra do Itapeti” e muitos outros, sempre enaltecendo bons sentimentos e o melhor da região.

Nas palavras de Neide, esta “é uma manifestação que acontece em todo o Brasil”, mas a que é reproduzida pelo coletivo é a típica do Maranhão. “O que é comum a todos é a dança e a história que fala da negra Catirina, que queria comer língua de boi e convenceu seu marido a roubar o mais bonito dos bois, o Bumba. Sem língua o animal ficou abatido e chamaram o pajé para lhe ressuscitar”.

A idealizadora do Jabuticaqui, grupo que reside no Galpão Arthur Netto, afirma ainda que essas ações acontecem todo ano, porém “normalmente com recursos próprios e de parceiros”, mas que “excepcionalmente agora” contam com o aprimoramento do ProAc, que permitiu a presença e participação de nomes do movimento original para cuidar dos cantos e danças.

“Recebê-los é uma honra muito grande porque existe uma identificação com nossa ancestralidade. O grupo é formado por pessoas que se sentem felizes em valorizar a cultura do Maranhão, que é do Brasil, é nossa, e Mogi consegue abraçar vários movimentos, a exemplo da congada, que admiramos muito e com a qual até estamos formando uma parceria”.

O presidente da escola de Samba Águia de Prata e responsável pela Associação do Casarão da Mariquinha, José Luiz da Silva, o Rabicho, também defende a “manutenção e todo e qualquer segmento tradicional da cultura brasileira”. “É a primeira vez na região que uma escola de samba recebe um batizado de boi nos moldes tradicionais maranhenses em sua quadra de ensaios. Significa muito podermos contribuir com a realização desse evento, que se perpetua por meio de famílias que dão segmento a essa forte cultura do nordeste”. Neide completa a fala dele: “Estamos felizes pela proximidade com as pessoas envolvidas nesta tradição nordestina alegre e repleta de cores, com a qual muitos se identificam”.

As atividades deste domingo são gratuitas e acontecem na Escola de Samba Águia de Prata, localizada à Rua Professor Dona Peretti, 18, na Vila da Prata. Outras informações estão disponíveis em facebook.com/Jabuticaqui/.