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JAC T40 recebe transmissão CVT e suspensão refinada

O JAC T40 é um SUV compacto mais equipado e mais baratos que a concorrência, porém briga mesmo é com outros chineses (Foto Eduardo Rocha/AutoPress)

Inicialmente, a chegada do câmbio CVT seria só uma forma de adequar o JAC T40 ao mercado de SUVs compactos. Acontece que o modelo foi além das expectativas. Por conta de um interesse da Volkswagen na plataforma da fábrica chinesa, o carro ganhou algumas qualidades transferidas pela engenharia alemã. O resultado é que o T40 foi praticamente reinventado em relação ao modelo de câmbio manual, único vendido atualmente.
A Volkswagen entrou em um acordo para utilizar a plataforma do SUV da JAC para criar uma linha mais barata de veículos elétricos. E, para isso, entre outras coisas, refinou a suspensão e melhorou o isolamento. A JAC tratou de incorporar todas as melhorias. O resultado é que o T40 é um SUV que não fica nada a dever a outros do mercado. Com a diferença que dá menos status por ser de uma marca chinesa, mas custa entre 15% e 20% a menos que os rivais.

Com valor de R$ 70 mil, o T40 CVT não tem opcionais e recebeu motor 1.6 litro de 138 cv de potência que, no entanto, é anestesiado pelo câmbio CVT (Foto Eduardo Rocha/AutoPress)

O SUV que chega às concessionárias nesta virada de abril para maio ganhou um motor maior e mais potente, uma suspensão mais refinada e um acabamento com materiais de maior qualidade. O que não mudou foi a política de vendas da marca, que tenta atrair o consumidor ao cobrar por um modelo completo o mesmo valor de um concorrente mal equipado. No caso do T40 CVT, R$ 69.990.
Por um lado, são R$ 8.000 a mais que o T40 manual com o kit multimídia, de série na versão CVT. Por outro, fica entre R$ 10 mil e R$ 15 mil a menos que SUVs compactos com o mesmo nível de equipamentos. Em relação ao T40 manual, a versão com CVT tem um motor 1.6 litro de 138 cv no lugar do 1.5 litro de 127 cv. Ganhou ainda bancos em couro, ar-condicionado automático e adiciona sensores de estacionamento dianteiro ao traseiro já existente. Mudou também o quadro de instrumentos, que ganhou um visual clássico, de fácil leitura.

Embora não tendo um design marcante, o T40 mostra personalidade principalmente na coluna traseira, em forma de arcos (Foto Eduardo Rocha/AutoPress)

Mesmo o T40 manual já é bem completo. Ele tem todo o arsenal de assistência à direção que vem se popularizando no Brasil nos últimos anos. Controle de estabilidade e tração, assistente de partida em rampa, monitoramento da pressão dos pneus, sensor de luminosidade. direção elétrica, controle de cruzeiro, trio elétrico, luzes diurnas de LED e rodas de liga leve aro 16 polegadas.
O kit multimídia conta com uma tela sensível ao toque de oito polegadas que exibe as imagens da câmara de ré e faz o controle de temperatura grau a grau do ar-condicionado. Há ainda uma câmara frontal, instalada junto ao retrovisor interno, que registra continuamente o movimento do veículo nas três últimas horas.

Por dentro, o T40 CVT exibe acabamento caprichado, com couro e frisos cromados. A central multimídia não espelha telefones celulares (Foto Divulgação)

O T40 CVT recebe o novo motor 1.6 litro que rende 138 cv de potência e 17,1 kgfm de torque, capaz de acelerar de zero a 100 km/h em 11,1 segundos e levar o SUV compacto à máxima de 190 km/h. O curioso é que o motor 1.5 litro tem números melhores: 9,8 segundos e 191 km/h. Isso se explica exatamente pela vocação mais “econômica” do novo propulsor que, além do câmbio CVT, tem o sistema “start/stop” para aumentar a eficiência.
Dinamicamente, o T40 é agradável. Nas rodovias, é neutro a ponto de parecer sempre que se está em velocidades menores que as reais. É preciso vigiar o velocímetro para não ultrapassar os limites de velocidade. Nas acelerações e retomadas, o câmbio CVT tira um bocado do ânimo do SUV. Como paliativo, há seis marchas virtuais predefinidas para espantar a preguiça do conjunto, mas o comando é diretamente no câmbio. (Eduardo Rocha/AutoPress)

Ponto a ponto – JAC T40 CVT

Desempenho – O motor a gasolina do JAC T40 é um 1.6 litro aspirado de 138 cv a 6.000 rpm, que conta com bons recursos, como duplo comando variável na admissão e no escape, mas é anestesiado pelo câmbio CVT. Nas arrancadas e retomadas, a transmissão mostra a falta de entusiasmo característica. Ainda mais que o torque máximo de 17,1 kgfm só aparece aos 4.000 giros. No cronômetro, porém, não fica fora da média do segmento. A aceleração de zero a 100 km/h consome 11,1 segundos. Nota 7
Estabilidade – A evolução deste T40 para a versão com câmbio manual fica nítida neste quesito. O SUV é firme nas curvas e estável nas retas, e mesmo em alta velocidade praticamente não exige correções de trajetória. A direção elétrica é leve, mas tem boa comunicação com as rodas. Nota 9
Interatividade – O T40 tem uma central multimídia simples, com conexão bluetooth e USB, mas sem espelhamento com celulares. O SUV tem volante multifuncional que comanda apenas o controle de cruzeiro e o som. O computador de bordo é controlado por um botão pouco acessível colocado do lado esquerdo, atrás do volante. Tem recursos como sensores de obstáculos, cameras de ré e frontal para registro de trajeto – em muitos países, esse equipamento barateia o seguro. Nota 8
Consumo – O motor 1.6 do JAC T40 ainda não foi avaliado pelo InMetro, mas a promessa é que seja mais econômico que o 1.5 que equipa o T40 manual. Durante o teste-drive, o computador de bordo acusou 14 km/l em ritmo rodoviário. Já quando combinou estradas vicinais, trechos urbanos e rodovia, o consumo subiu para 12,2 km/h. Apenas rodando na cidade, o consumo foi de 9,8 km/h. São números razoáveis para um modelo compacto, com câmbio CVT e que bebe exclusivamente gasolina. Nota 7
Acabamento – É neste ponto que a evolução do JAC T40 fica mais evidente. Além dos bancos em couro, com detalhes em vermelho, o interior está mais caprichado. No painel, um revestimento almofadado em plástico repete o padrão de detalhes dos bancos. No console central há molduras em preto brilhante na tela e nos comandos de ar-condicionado. Nas saídas de ar e no contorno dos raios do volante há frisos cromados. Nas portas, os puxadores também são almofadados, assim como no apoio de braços entre os bancos dianteiros. Não há requinte nem descuido. Os arremates e montagens aparentam boa qualidade. Nota 8
Conforto – A suspensão dá um pouco mais de atenção ao controle da carroceria que à absorção das irregularidades. Ainda assim, não compromete o conforto dos ocupantes. O estágio do modelo pela engenharia da Volkswagen foi benéfico tanto neste aspecto quanto no isolamento acústico, que é bem superior ao do T40 manual. Os bancos dianteiros têm bons apoios laterais mas não são tão confortáveis para longos trajetos. Nota 8
Tecnologia – A plataforma do T40 é nova e o motor é bem moderno e eficiente. A central multimídia é menos conectiva que as de modelos lançados agora. Por outro lado, o T40 CVT tem recursos eletrônicos como controle de tração e estabilidade, assistência para partida em rampa, monitor de pressão dos pneus, sensores de obstáculos dianteiro e traseiro e câmara de ré. Nota 8
Habitabilidade – Outro ponto alto do T40. A altura do carro facilita o acesso e o interior é realmente espaçoso para um compacto, tanto em relação à área de cabeça quanto de pernas. Atrás, um quinto passageiro adulto é aceitável em trajetos curtos. Há bons porta-objetos espalhados pelo interior, como à frente do câmbio e sob o descanso de braços central. Tem ainda porta-copos no console central e porta-garrafa nas portas. O porta-malas recebe 450 litros de bagagem até a linha das janelas. Nota 9
Design –. O T40 não mostra um design marcante, mas também não chega a ser um SUV genérico. As características mais notáveis acabam sendo a coluna traseira, com as duas laterais em arco, e a grade, com grossos frisos em prata acetinado com a nova logomarca da JAC em destaque ao centro. A linha de cintura alta também dá alguma personalidade ao modelo. Nota 7
Custo/benefício – Os R$ 69.990 pedidos pelo SUV não chegam a impactar o mercado, mas conseguem chamar a atenção. Qualquer modelo de marcas não chinesas custa pelo menos R$ 10 mil a mais que o T40 CVT com o mesmo nível de equipamentos. Objetivamente, os concorrentes diretos são outros chineses: Chery Tiggo 2 e o Lifan X60. Nota 8
Total – O JAC T40 CVT somou 79 em 100 pontos possíveis.

Ficha Técnica
Jac T40 CVT

Motor: Gasolina, dianteiro, transversal, 1.590 cm³, com quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro e duplo comando com variação contínua de abertura das válvulas na admissão e no escape. Acelerador eletrônico e injeção multiponto.
Transmissão: Continuamente variável com seis marchas virtuais sequenciais à frente e uma marcha a ré. Tração dianteira. Oferece controle eletrônico de tração.
Direção: Elétrica.
Potência máxima: 138 cv a 6 mil rpm.
Aceleração 0-100 km/h: 11,1 segundos.
Velocidade máxima: 190 km/h.
Torque máximo: 17,1 kgfm a 4 mil rpm.
Diâmetro e curso: 75 mm X 90 mm. Taxa de compressão: 10,5:1.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson com barra estabilizadora. Traseira por eixo de torção com barra estabilizadora. Oferece controle eletrônico de estabilidade.
Pneus: 205/55 R16.
Freios: Discos ventilados na frente e sólidos atrás. ABS com EBD. Assistência de partida em aclives.
Carroceria: Utilitário esportivo compacto em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4.14 metros de comprimento, 1,75 m de largura, 1,57 m de altura e 2,49 m de distância entre-eixos. Oferece airbags frontais.
Peso: 1.220 kg.
Capacidade do porta-malas: 450 litros.
Tanque de combustível: 42 litros.
Produção: Hefei, na China.
Lançamento da versão: Abril de 2018.
Preço da versão: R$ 69.990.