MOGIANO

Jorge Solyano propõe arte sustentável e solidária

Enquanto escreve projetos que envolvem ações sociais e sustentabilidade Solyano faz testes com novos formatos de esculturas, como orquídeas e capoeiristas. (Foto: Arquivo)
Enquanto escreve projetos que envolvem ações sociais e sustentabilidade Solyano faz testes com novos formatos de esculturas, como orquídeas e capoeiristas. (Foto: Arquivo)

Vários projetos estão na pauta do artista plástico Jorge Solyano para 2020. Um deles é uma mistura de arte com ações sociais; outro está ligado a sustentabilidade. Para fazer as ideias saírem do papel, porém, o mogiano que tem inovado em peças feitas por encomenda precisa de tempo e de recursos, e para isso aposta em editais.

Depois de uma exposição feita no hall de O Diário entre junho e julho últimos, Solyano diz não ter conseguido emplacar nenhuma outra mostra. Como consequência, teve que se desdobrar em outras atividades que não a produção artística, mas, nas mais recentes semanas, passou a ser procurado para confeccionar esculturas que se tornariam presentes e homenagens.

A incursão dele neste tipo de obra veio depois de longo tempo trabalhando com pinturas realistas, principalmente retratos de pessoas negras. Quando, por um acaso, decidiu fazer uma escultura justamente para presentear alguém, não parou mais. As primeiras tinham formas de bailarinas, mas vieram os jogadores de futebol, as crianças brincando e agora as mais variadas formas, como uma orquídea e uma dupla de capoeiristas, feitas sob encomenda.

Em outubro, após ter explorado as várias nuances de movimento possibilitadas por materiais como alumínio e papel de jornais e revistas, Solyano decidiu dar um passo além e estabelecer vínculos sociais a partir de seus trabalhos. Surgiu então uma parceria com a ONG Fraternidade Sem Fronteiras e o projeto ‘Amor com Arte’, que ele espera emplacar neste novo ano.

“Participei de um evento que arrecadava dinheiro para crianças da África e tive essa ideia de destinar uma parte do valor das obras para a ONG”, conta o mogiano, que também criou o ‘Tudo Vira Arte’, que não consiste em doações, mas sim em atividades com a sociedade.

O objetivo desta segunda iniciativa é “ensinar crianças a mexer com materiais reciclados, como garrafa pet, pneu, papel, frutas, lixa, panos e outros, enxergando as muitas possibilidades de arte a partir deles”. Para tanto, Solyano almeja entrar em escolas e mostrar que “tudo pode ser transformado”.

Porém, como o projeto depende de recursos financeiros, ele deve, agora, se inscrever no edital do Programa de Fomento à Arte e Cultura de Mogi das Cruzes (Profac), e depois seguir em busca de “outros parceiros” que o possam apoiar.

Nas palavras do artista que tem acrescentado materiais novos ao próprio repertório, tornando-o mais colorido, “não dá para ficar parado”. “Uma coisa que aprendi alguns anos atrás, independentemente de qualquer coisa, da situação do país, é que acredito muito no meu trabalho e não posso ficar esperando as coisas acontecerem. Não adianta ficar dizendo que ninguém apoia a arte. É preciso agir”.

Assim, ele se mantém atualizado sobre o que acontece na cidade e na região. Sabe que artistas como Mauricio Chaer e Rodrigo Bittencourt têm feito sucesso com peças grandes, expostas gratuitamente em espaços públicos. E quer fazer o mesmo.

“Falei com Belini Romano (autor de obras como ‘O Bandeirante’, localizado na entrada da cidade pela Mogi-Dutra), e ele se dispôs a me ajudar a fazer esculturas maiores, para as quais preciso modificar a estrutura e o modo como trabalho. Em outras palavras, o que faço hoje é mais frágil, e preciso me reinventar”, encerra Solyano, que revela ainda aproveitar os dias de festas de fim de ano para fazer “testes com novos materiais e em novos formatos”.


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