CIRCUITO

José Carlos apresenta as metas da associação para a Festa do Divino

José Carlos Nunes Júnior. (Foto: Heitor Herruso)
José Carlos Nunes Júnior. (Foto: Heitor Herruso)

O consultor empresarial José Carlos Nunes Júnior tem longa relação com a Festa do Divino de Mogi das Cruzes. Ele começou a frequentar o evento quando adolescente e em 2008 assumiu a coordenação do café da alvorada, função que exerce ainda hoje. Foi capitão de mastro em 2011, festeiro em 2013 e agora, depois de ter sido secretário e tesoureiro da Associação Pró-Festa do Divino Espírito Santo, é o presidente da entidade. Nesta entrevista, comenta os objetivos de seu mandato, que segue até o próximo ano com visão expansionista, de tornar a agenda conhecida em outras regiões e estados.

Como você se tornou presidente da Associação Pró-Divino?

Faço parte da diretoria há alguns anos. Já fui secretário, e até o ano passado era tesoureiro. Quando começaram a falar da eleição, no começo do ano passado, eu disse que não seria candidato, mas decidi encarar este desafio, sabendo que é uma baita responsabilidade. Todos colaboram de diferentes maneiras e temos uma equipe muito coesa, então esse peso fica um pouquinho mais leve.

Qual o objetivo dessa nova chapa?

Quando se fala de Festa do Divino, lembra-se de um monte de lugares, mas pouco se fala de Mogi. Então desde o início, o objetivo é zelar por este patrimônio, que é a festa local, e fazer com que a associação, que foi fundada por ex-festeiros em maio de 1994, continue participando das decisões junto da Mitra Diocesana. O evento cresceu demais e está muito grande, mas isso dentro da região do Alto Tietê, e não fora dessa muralha. Por isso nossa intenção é expandir, e para isso temos hoje contato com pessoas de fora, como de Minas Gerais, do Sul e também de São Luiz do Paraitinga.

Existe um planejamento para essa ampliação?

Quando se fala em Festa do Divino, se fala de harmonia e união. Ou seja, temos que buscar parceiros, contatos para demonstrar o potencial turístico e cultural que tem a nossa festa. Pretendo buscar ajuda até mesmo dos governos Estadual e Federal.

Efeitos deste pensamento expansionista serão vistos já na festa de 2020?

Sim. Há algumas surpresas que estão preparadas para a festa deste ano, que vai ser muito impactante. São segredos dos festeiros (o vereador Mauro de Assis Margarido, e a nutricionista Cícera Alecxandra de Oliveira Margarida), mas tem algumas coisas que foram divulgadas recentemente, como a participação do padre Antônio Maria, que diz que além da festa estará também na alvorada.

Quais são os planos para que a festa continue crescendo?

A tendência é que ela realmente cresça, o que vem acontecendo, a cada ano, em termos financeiros e de público. Pensamos e sempre conversamos sobre isso, e temos que continuar a demonstrar a transparência de como a festa é feita para conferir credibilidade a ela. Hoje, só com a quermesse a programação não se paga, mas conseguimos angariar dinheiro graças ao patrocínio e eventos extra, então, novamente, a tendência é colocá-la em evidência fora da cidade, trazendo gente para apostar no projeto.

Você enxerga a festa em outra estrutura?

Seria meu sonho, até mesmo porque se cresce de tamanho conseguimos ajudar muitas outras entidades que necessitam. Na minha primeira reunião como presidente, no mês passado, apresentei sete ou oito solicitações de inclusão de novas entidades. Mas não há espaço, não tem onde colocar. Projetos de expansão como o do arquiteto Paulo Pinhal, de fazer um centro de convenções, são boas ideias, e poderiam colocar mais 10 ou 15 entidades na programação.

E o projeto Divino Verde? Continua neste 2020?

Sim, continua. A iniciativa foi lançada em 2013, quando fui festeiro. O objetivo é conscientizar não só as entidades participantes como o pessoal que frequenta a quermesse sobre sustentabilidade, a importância de separar e jogar lixo no lugar certo, fazer com que não haja desperdício, guardar o óleo, e fazer plantio. No primeiro ano plantamos 400 mudas de palmitos, sendo 50 no Parque Centenário e 350 no Parque Municipal, e nas demais edições criamos a Caminhada Ecológica, para conscientizar a população, e até o bispo participa. Hoje em dia também temos uma missa campal no Parque Municipal e contamos com o apoio da prefeitura para visitar as entidades e verificar o que pode ser feito para torná-las mais ecológicas.

Como estão os preparativos para o evento?

Os preparativos começaram já no dia seguinte ao anúncio dos festeiros. Temos reuniões, nas quais vamos determinando todo o planejamento, e o assunto que está em pauta agora é a infraestrutura, uma das coisas mais importantes da festa. O custo para tendas, gradil, entrada dos palmitos e banheiros é muito grande. No ano passado girou em torno de R$ 300 mil. Já sabemos o que é necessário através da planta, e agora essa parte começa a tomar forma. A tendência é nos reunirmos todos os dias daqui para frente.

Por ser um evento consolidado, a festa já “acontece sozinha” ou ainda precisa de acompanhamento?

Depende muito de acompanhamento, porque por mais que tenhamos atividades já definidas, sempre tem alguma coisa para se fazer, como um documento que precisa se adequar às novas leis. Temos que fazer o que está certo, dentro da lei, com qualidade e segurança. Como a festa está crescendo, com mais de 15 mil pessoas por dia de quermesse, a segurança é um fator muito importante, e que custa muito caro.

A religião ainda é presente e forte na programação?

A religião é o carro-chefe da Festa do Divino. Podemos dizer que a quermesse é parte de um encontro social, onde famílias se reúnem para bater papo, mas ainda é muito forte o caráter religoso, e isso dá-se porque nosso bispo, dom Pedro Luiz Stringhini, resgatou e deu muita credibilidade a isso. Ele é participativo em tudo, principalmente nas alvoradas e missas. E se mistura, conversa com todo mundo e até ajuda a servir café.

Como é a participação dos voluntários?

Durante a festa, 99% dos envolvidos são voluntários. Vejo que, graças a Deus, ainda temos grande número de voluntários engajados. Sempre tem aqueles que vão para tirar foto, e isso vai continuar existindo, mas vejo que as paróquias e entidades são engajadas, o que é muito bacana.

Mesmo com todo o crescimento, a Festa do Divino ainda confere à Mogi características de cidade de interior?

Sim, contribui muito para isso. Todo mogiano tem alguma história para falar do Divino, que por ser uma coisa muito antiga, que vem de gerações e gerações, reúne as famílias. E em Mogi as famílias se conhecem. As crianças que hoje participam, são incentivadas pelas mães e avós. É uma cidade interiorana, que apesar do crescimento, de ter universidades e uma série de outras coisas, conseguiu manter o povo unido. E tudo é sobre isso, a união.

Uma vez festeiro, sempre festeiro?

Isso mesmo. Nunca deixamos de ser festeiros, isso está em nosso estatuto. Quando se está nessa posição, automaticamente quando termina a festa passa-se a ser membro da associação. E muitos, depois de um ano começam a ser convidados para um cargo, não remunerado, claro. Somos sempre “voluntários de Cristo”.


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