EDITORIAL

Jundiapeba merece

Basta uma chuva um pouco mais forte para os moradores de ruas como a Augusto Regueiro, em Jundiapeba, verem o esgoto subir nas valas construídas em frente das casas, responsáveis pela coleta dos dejetos que vão parar no interior das residências construídas na parte mais baixa das vias.

Em abril passado, este jornal mostrou o drama de algumas das famílias que residem em 20% das ruas do distrito que, segundo a Prefeitura, não contam com a rede de coleta de esgoto. É para a Mogi da margem, invisível para a maioria das pessoas e desprovida de serviços públicos que o pacote de obras de saneamento básico anunciado pelo prefeito Marcus Melo se destina.

O projeto a ser executado pelo Semae (Serviço Municipal de Águas e Esgoto) prevê ampliar para 90% a coleta e o tratamento do esgoto no distrito, que integra a Bacia do Rio Jundiaí – uma reserva de água potável, apontada em um dos capítulos finais do Plano Municipal de Água, de 2011, como uma possível fonte para o abastecimento futuro, quem sabe, dessa mesma parte da cidade. Com a abertura da Avenida das Orquídeas, os lotes de terrenos desocupados de Jundiapeba tendem a receber empreendimentos habitacionais e comerciais, repetindo o fenômeno da expansão populacional vivido em César de Souza.

Na esteira da rede de esgoto, outro benefício se avizinha – a pavimentação. Parte das ruas de Jundiapeba não conta com o asfalto porque não possuía essa estrutura básica.

Essa atenção ao distrito mira algo sempre cobrado por este jornal – a necessidade de Mogi igualar os índices do desenvolvimento econômico e social em todos os bairros. A coleta de esgoto é ponto de partida para a melhoria da saúde pública e da qualidade de vida de toda a cidade.

Com o financiamento obtido junto à CEF, o Semae ainda confirma a modernização e a ampliação da capacidade da Estação de Tratamento de Água (ETA) Centro. É uma obra esperada para solucionar problemas operacionais e melhorar a qualidade da água tratada.

As obras que serão executadas em prática fazem parte dos planos diretores para Água e o Esgoto planificados para até 2040. Caminham lento, mas caminham. Um sinalizador a ser reconhecido diante da paralisia generalizada de obras públicas observada em outros municípios da Região. A manutenção da saúde financeira da Prefeitura é ponto positivo a ser considerado diante da gravidade da atual crise econômica.