EDITORIAL

Jurandyr Ferraz de Campos

Há pessoas que se tornam conhecidas por aquilo que amealham e há entes que se tornam conhecidos por aquilo que legam. A morte, esta semana, do professor e historiador Jurandyr Ferraz de Campos priva Mogi das Cruzes da convivência com um de seus mais ativos intelectuais.

Não foi fácil para Jurandyr alçar ao olimpo dos poucos que fazem a História de Mogi das Cruzes. Era um dentre 11 irmãos e seguiu a rotina do que se permitia aos jovens daqui nas décadas de sua formação: primário e ginasial em escolas públicas, auxiliar de escritório no Liceu Braz Cubas.

Mas o professor queria novos horizontes e lá foi trabalhar no Banco do Brasil, em São Paulo, com recursos e tempo suficientes para se graduar em História pela USP.

Voltou para cá e iniciou carreira, na qual o eixo pendular foi o ativismo comunitário, nas coisas relacionadas à nossa História e melhores tradições. Ajudou a fundar a Associação Pró-Festa do Divino (1994) e teve alguns de seus melhores momentos quando Secretário da Cultura da administração do prefeito Junji Abe (2001-2004): criou por aqui a Sociedade de Paleografia, destinada a avaliar documentos antigos e foi um incansável incentivador de empreitadas culturais.

Também manteve colaboração assídua com este jornal e jamais abandonou a proximidade com a Festa do Divino Espírito Santo. Ele próprio identificava-se como um “divineiro”.

Este conjunto que faz de sua obra uma referência de cidadania, teve várias alavancas: começou com o professor José Sebastião Witter, que o indicou para professor e seguiu-se quando o padre João Rosa o incentivou a pesquisar sobre a história de Mogi, do que resultou seu primeiro livro, “Santa Ana das Cruzes de Mogy – huma villa de Sera aSima”

As publicações, entrevistas, ações do professor Jurandyr Ferraz de Campos são o grande legado que ele nos transfere. Temos o dever de preservar e reverenciar.

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