CHACINAS

Júri absolve ex-policial acusado por mortes

Cardoso é acusado de participação em chacinas (Foto: Arquivo)

Fernando Cardoso Prado de Oliveira permanecerá no Presídio Romão Gomes porque é indiciado em outros inquéritos

Acusado como um dos responsáveis por uma série de chacinas que aconteceu em Mogi das Cruzes entre os anos de 2013 e 2015, o ex-policial Fernando Cardoso Prado de Oliveira foi absolvido na madrugada de ontem pelo júri popular. Nesta primeira audiência, ele era acusado de matar o jovem Matheus Aparecido da Silva e pela tentativa de homicídio de Rodrigo Matos de Camargo de Souza Lima. Cardoso, como é conhecido, continuará em cárcere no Presídio Romão Gomes.

No dia 19 de fevereiro, ele e o policial Wanderlei Messias Barros, que está preso no mesmo centro de detenção, retornarão o júri para responder pelo assassinato de Rafael Augusto Vieira Muniz e pela tentativa de homicídio de Bruno Fiuza Gorrera. Naquele período, 40 jovens foram baleados, sendo que 21 deles perderam a vida. No total, foram 12 inquéritos destes casos, sendo que sete resultaram no indiciamento de Cardoso.

Por mais que o resultado tenha abalado os parentes de vítimas dos outros casos, eles ainda se mostram confiantes. Sara Vieira, 23, irmã de Muniz, lembra como tudo aconteceu. O menino estava em sua casa, na Rua Pedro Battani, no Jardim Camila, e foi até a casa de uma tia, na mesma via, buscar um pouco de óleo de cozinha. Na volta, parou no portão de casa para conversar com Gorrera. Neste momento, um carro passou atirando e Gorrera conseguiu fugir, mas o irmão de Sara não resistiu aos ferimentos e morreu.

Cardoso é acusado de participação em chacinas (Foto: Arquivo)

Ao escutar os tiros, uma prima da vítima subiu no muro para ver o que estava acontecendo. “Foi tudo muito rápido. Mas de dentro de casa, o meu pai também ouviu os barulhos e olhou pelo muro. Nessa, ele já viu o corpo do meu irmão. Minha mãe também saiu correndo”, relata Sara. Quando tudo aconteceu, foi informado erroneamente que Muniz já teria sido preso. “Ele nunca foi, nunca mexeu com drogas”, afirma a irmã.

Devido à rapidez dos acontecimentos, foi inevitável que tudo fosse testemunhado. Sara diz que ao olhar pela parede, a prima conseguiu reconhecer Cardoso e Messias, que já eram conhecidos por ali. Além disso, ela conta que a reconstituição do crime foi feita com a vítima que sobreviveu e que o exame de balística seria uma prova contra os acusados.

“Nós perdemos uma batalha, mas não a guerra”, é o que afirma Inês Paz, que foi professora de algumas das vítimas e até hoje acompanha as mães mogianas. Na terça-feira, ela chegou ao Fórum de Mogi das Cruzes, em Braz Cubas, por volta das 9 horas e permaneceu lá até o momento da sentença, que aconteceu perto da 1 hora de ontem.

Inês lembra que desde que a linha de investigação da Polícia Civil chegou a Cardoso e Messias, as chacinas pararam de acontecer. “Existem muitos fatos que levam a eles. O Cardoso, por exemplo, foi expulso da Polícia Militar e isso não aconteceria sem motivos. Além disso, ele disse que foi ‘forjado’ pela Polícia Civil. Então, acho que algum representante deles deveria estar lá também”, disse.

Questionados pela reportagem, a Secretaria de Estado da Segurança Pública e o Ministério Público não comentaram o assunto.