Aterro Pajoan volta a ser interditado

Aterro Pajoan, interditado novamente ontem, já deveria estar fora de operação desde 2011 / Foto: Jonny Ueda
Aterro Pajoan, interditado novamente ontem, já deveria estar fora de operação desde 2011 / Foto: Jonny Ueda

Da janela de sua loja de roupas, a comerciante Josefina Marques, de 61 anos, natural da Bolívia, observa a intensa movimentação de caminhões pelas ruas do bairro Cidade Nova Louzada, periferia de Itaquaquecetuba. A desconfiança dela e dos vizinhos levou o Ministério Público Estadual (MPE) a investigar o tráfego fora do comum numa região que abriga há décadas o Aterro da Pajoan, um empreendimento que deveria estar fora de operação desde 2011. Ontem (4) pela manhã, os agentes cumpriram duas decisões judiciais que determinavam novamente a interdição do espaço, já que descobriu-se que mais resíduos, sem autorização legal, teriam voltado a ser depositados no lixão.

Há nove anos no Brasil, Josefina mora há quase o mesmo período naquele ponto da cidade. Ela viu, como boa parte dos moradores de Nova Louzada, o funcionamento da Pajoan e também o seu declínio, com o desmoronamento de mais de 100 toneladas de resíduos, em abril de 2011. Na ocasião, houve uma explosão. A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) chegou a apontar que o acúmulo de gás no solo teria motivado a explosão e desencadeado o desmoronamento.

“Antes de ser interditado, o cheiro era insuportável. Quando houve a explosão e a interdição, a gente pensou que a coisa melhoraria. Isso aconteceu por pouco tempo. Há uns dois meses, o forte cheiro voltou. É insuportável, sobretudo, pela manhã. Tenho os meus netinhos morando aqui e tornou-se uma situação perigosa porque, além do odor forte, há grande movimentação de caminhões. No início, apenas à noite, agora passam durante o dia também”, comentou com a reportagem, no fim da manhã de ontem.

Maria Aparecida Melo, 43, dona de uma loja de variedades na Avenida Turmalina, a principal do bairro, lembra que os caminhões costumam entrar pela Estrada do Pinheirinho (que está situado o aterro) e saem do empreendimento pela portaria localizada no Cidade Nova Louzada. “A gente percebe que é lixo que eles trazem pelo cheiro forte que sai dos caminhões quando eles circulam por aqui. Não é possível que seja apenas terra, como alegam. Antes, quando o aterro funcionava legalmente, havia muitas moscas. Elas ainda não voltaram, mas o mau cheiro é perceptível”, disse a O Diário. (Lucas Meloni)

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