UM BARATO

Kwid revela um bom custo/benefício

Kwid (Fotos: Isabel Almeida/Autopress)

Versão de topo Intense do Renault segue a lógica do mais por menos e aposta em bom recheio por baixo valor

O mercado automotivo brasileiro tem se aberto mais para duas categorias de automóveis ultimamente: os SUVs compactos e os hatches subcompactos. A Renault, disposta a melhorar seus resultados no Brasil, decidiu substituir o já ultrapassado Clio, que saiu de linha em 2016, com o lançamento do moderno Kwid, em agosto último. O modelo tem tamanho de subcompacto, mas a suspensão elevada faz com que a marca francesa insista em classificá-lo como SUV. O marketing deu certo e as vendas decolaram, também graças ao preço atraente, que atualmente não ultrapassa os R$ 40.490 pedidos pela configuração topo de linha Intense.

O Kwid é montado sobre uma plataforma modular que deverá ser compartilhada por outros compactos da Renault, Nissan e Datsun. No modelo, destacam-se a suspensão levantada e reforçada e os bons ângulos de ataque e de saída, de 24 e 40 graus, respectivamente. O tamanho reduzido se mostra vantajoso em grandes cidades, com seus 3,68 metros de comprimento,1,58 metro de largura, 1,47 metro de altura e 2,42 metros de entre-eixos. A altura livre do solo fica em 18 cm.

O design segue a nova identidade visual da marca e foi desenvolvido em parceria entre os estúdios do Renault Design Network do Brasil, França e Índia. Com formas robustas e musculosas e para-lamas encorpados, o Kwid tem grade frontal ladeada por faróis alongados, similar as dos novos SUVs globais da marca. Na traseira, um discreto aerofólio e o revestimento em preto abaixo da tampa do porta-malas reforçam a esportividade. No centro da logomarca da tampa do porta-malas está oculta a câmara de ré, de série na configuração Intense.

Por dentro, o acabamento lembra bastante o do hatch Sandero e do sedã Logan, na configuração intermediária Expression. A posição de dirigir é elevada e, apesar de uma cabine subcompacta, o porta-malas abriga 290 litros. Mas, com o banco traseiro rebatido, pode chegar até 1.100 litros. A título de comparação, o Fiat Mobi Way, que atua na mesma categoria e também tem uma suspensão reforçada e elevada, abriga apenas 215 litros.

Uma das características que a Renault mais se gaba em relação ao Kwid é o baixo consumo, atestado pelo InMetro. Além do baixo peso, de 786 quilos na variante mais cara, e também a mais pesada, o Kwid é movido pelo motor 1.0 litro SCe (Smart Control Efficiency) de três cilindros, 12 válvulas, duplo comando de válvulas e bloco em alumínio. O propulsor trabalha sempre com a transmissão manual de cinco marchas e rende 70 cv de potência e torque de 9,8 kgfm a 4.250 rpm com etanol e 66 cv e 9,4 kgfm com gasolina no tanque.

Dinamicamente, o Kwid se comporta de maneira correta, como a maior parte dos veículos 1.0 modernos e circula fácil no “para e anda” das cidades. Os 70 cv máximos com etanol podem parecer pouco, mas diante dos 786 quilos da variante Intense – a mais pesada -, percebe-se como ele se mostra tão esperto próximo aos 4.250 giros, quando aparece o torque máximo de 9,8 kgfm com o mesmo combustível.

De qualquer forma, é a suspensão elevada o grande apelo do Kwid. Com ela, passase com mais desembaraço pelos buracos e quebra-molas, sem maltratar tanto quem está a bordo ou forçar demais o carro. E o ajuste mais firme na traseira garante um comportamento estável mesmo em velocidade elevada. As rolagens de carroceria surgem com mais intensidade do que em outros hatches, mas nada que assuste. A direção elétrica segue o padrão da marca francesa, mais endurecido que nas fabricantes concorrentes, o que também amplia a sensação de segurança.

A boa relação custo/benefício da variante Intense se dá em função da extensa lista de itens de série. Há direção elétrica, quatro airbags, dois Isofix, ar-condicionado, retrovisores, travas e vidros dianteiros elétricos, faróis de neblina, abertura elétrica do portamalas, chave canivete e um “pack connect” que traz o Media Nav 2.0, central multimídia com tela sensível ao toque de sete polegadas integrada ao painel, que tem navegador GPS e Bluetooth e transmite as imagens da câmara de ré. (Márcio Maio/AutoPress)

PONTO A PONTO

Desempenho – O motor 1.0 litro que move o Kwid tem apenas 70 cv de potência a 5.500 rpm e torque de 9,8 kgfm a 4.250 rpm, com etanol, e 66 cv a 5.500 rpm e 9,4 kgfm a 4.250 rpm, com gasolina. Parece pouco, mas o peso de 786 quilos da versão de topo Intense ajudam o propulsor na hora de mover o subcompacto. Na cidade, dá e sobra para boas arrancadas, ultrapassagens e retomadas. Nas estradas, é mais comum ter de recorrer às reduções bruscas de marchas, mas nada muito diferente dos outros 1.0 aspirados do mercado. Nota 7

Estabilidade – Por ser um pouco mais alto, a carroceria do Kwid rola de maneira mais aparente. Mas o ajuste mais rígido da suspensão evita que o carro aderne demais nas curvas. A direção elétrica de série da versão Intense não chega a ser tão suave quanto às outras com essa tecnologia – algo, aliás, típico da Renault – e garante uma sensação maior de segurança em velocidades elevadas. Mas não há controle eletrônico de estabilidade. Nota 7

Interatividade – Apesar do preço baixo, a falta de ajustes de altura para banco do motorista e coluna de direção decepcionam nesse aspecto. Assim como os pinos nas portas para as travas, algo que remete demais a um automóvel retrô e que não combina com o visual do modelo. Em compensação, a central multimídia disponível é bastante intuitiva e tem navegador GPS e câmara de ré, favorecendo as manobras de estacionamento. Mas não há sensores traseiros, que normalmente acompanham o pacote tecnológico da marca francesa. Os retrovisores são elétricos mas não há comandos de áudio no volante. E são só dois alto-falantes no carro, próximo ao parabrisa. Quem está atrás não escuta bem o som do rádio. Nota 5

Consumo – O Kwid participa do Programa de Etiquetagem do InMetro e obteve nota A no geral e na categoria. Segundo o Inmetro, na cidade, faz 14,9 km/l com gasolina e 10,3 km/l com etanol. Na estrada, 15,6 km/l com gasolina e 10,8 km/l com etanol. Nota 10

Conforto – O Kwid é um subcompacto, logo, não dá para esperar uma área interna ampla. Nem mesmo os passageiros da frente desfrutam muito de espaço, já que o carro é estreito. Duas pessoas mais robustas certamente se esbarrarão em algum momento do trajeto, mesmo cada uma em seu assento. A altura interna é boa para quem tem estatura média e a suspensão filtra de maneira normal os desníveis do solo. Não chega a entregar o mesmo conforto que um SUV nesse quesito, mas se comporta melhor que um hatch mais baixo. O isolamento acústico, por outro lado, parece inexistente: o Kwid é bastante barulhento. Nota 6

Tecnologia – A plataforma modular é nova, mas a versão indiana do Kwid, lançada em 2015, levou recentemente nota zero no “crash test” do Global NCAP, órgão de segurança viária da Ásia; no Latin NCAP a nota foi de três estrelas. A Renault garante que o modelo produzido no Paraná foi reprojetado e recebeu aços de alta resistência na estrutura. O motor 1.0 de três cilindros é moderno, mas foi “aliviado” de alguns recursos tecnológicos em relação ao que havia estreado no final do ano passado no Sandero, com 82 cv com etanol – no Kwid, são 70 cv. Qualquer versão tem airbags laterais de série, além dos frontais obrigatórios, e a configuração Intense ainda traz uma lista disponível que inclui até câmara de ré e central multimídia com GPS, o que é uma vantagem na faixa de preço em que atua. Nota 8

Habitabilidade – O subcompacto tem como principal vantagem o porta-malas, que está na média dos hatches compactos, ou seja, maiores que ele. As limitações de espaço interno já foram citadas e um detalhe incomoda bastante: não há porta-copos, só um espaço no bolsão das portas que passa a impressão de não segurar bem os recipientes de bebida. Em compensação, há um grande nicho à frente do câmbio para transportar todos os objetos que necessitam estar à mão do condutor. Nota 7

Acabamento – A maior parte dos compactos e subcompactos nacionais pecam nesse aspecto e o Kwid não foge muito ao padrão racional da Renault, mesmo em sua variante mais cara. São plásticos rígidos, com encaixes corretos. O sistema multimídia é envolvido por acabamento em preto brilhante, mas não há qualquer toque de requinte ou de luxo. Nota 6

Design – As linhas do Kwid são fluidas e equilibradas, mas reforçam a imagem robusta que a Renault busca transmitir com o modelo. A suspensão elevada contribui para a ideia de se tratar de um SUV e há elementos gráficos típicos de modelos com estética aventureira. O desenho é interessante no segmento em que atua e dá certa personalidade ao subcompacto. Nota 9

Custo/benefício – A versão Intense sai a R$ 40.490, mas traz o pacote tecnológico com central multimídia e câmara de ré, além de trio elétrico e quatro airbags. Mas peca demais na economia com materiais de isolamento acústico. O Fiat Mobi Way, seu concorrente mais direto, custa R$ 44.017 completo, mas causa uma impressão melhor. Um Ford Ka Trail 1.0 parte de R$ 48.430, enquanto o Volkswagen Up! Cross começa em R$ 57.590, mas chega a R$ 59.900 completo, com central multimídia e bancos em couro sintético. Nenhum deles barra o Kwid Intense no preço, principalmente pela lista completa de itens de série do modelo da Renault e sua suspensão elevada. Nota 9

Total – O Renault Kwid Intense levou 74 pontos de 100 possíveis.


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