ARTIGO

Lacuna de talentos

José Francisco Caseiro

ciesp@ciespaltotiete.com.br

O Brasil acaba de conquistar o terceiro lugar no campeonato mundial de profissões técnicas, disputado por 63 países, na Rússia. É de lá também que vem um dado preocupante. Mais de 1,3 bilhão de pessoas no mundo não atende as exigências do emprego por falta ou excesso de qualificação para a vaga.

A estimativa do estudo apresentado na 45ª WorldSkills – Olimpíada Global de Profissões Técnicas – é de que a lacuna de competências custe cerca de 6% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial e seu impacto é equivalente a mais um imposto sobre a produtividade das empresas. Ela acontece devido ao descompasso entre as qualificações que os empregadores buscam e o que os profissionais estão aptos a oferecer.

O Brasil registra altos índices de desemprego. E mesmo com a economia em retração e quadros cada vez mais enxutos, não é raro se deparar com uma empresa com dificuldade para preencher uma vaga disponível. Seja porque os candidatos não reúnem as qualificações mínimas ou estão num patamar muito superior para a função específica.

Essa é a lacuna de talentos, que custa ao empregador e ao trabalhador. O mesmo estudo mostra que com a evolução tecnológica e o avanço na quarta revolução industrial (Indústria 4.0), as competências técnicas estão se tornando obsoletas duas a três vezes mais rápido do que há 50 anos. Isso acentua o déficit e reforça o único caminho a ser seguido, que é a educação.

No Alto Tietê, a presença de um forte polo educacional, com destaque para duas unidades do Senai, em Mogi e Suzano, é diferencial determinante para o desenvolvimento das cidades. A mão de obra qualificada está entre os fatores que justificam o grande parque industrial – um dos mais importantes do Estado – e o potencial em áreas como agricultura, comércio e serviços.

O Senai possui, por exemplo, um observatório dos principais setores da indústria para prever as tecnologias que serão demandadas num universo de médio prazo e formar os profissionais para atender essa demanda. Isso, expandido para o País, ajuda a explicar o desempenho brasileiro na olimpíada global.

Estamos entre os melhores do mundo na formação profissional técnica; resta ao País avançar numa reforma política e econômica que possibilite a retomada dos investimentos e a geração de empregos, respaldada num modelo em que a grande massa de trabalhadores, nas mais diversas áreas, tenha acesso a essa qualificação que o mercado precisa.

José Francisco Caseiro é diretor do Sistema Fiesp/Ciesp no Alto Tietê