Laerte Silva: Cartomante

“Nos dias de hoje é bom que se proteja, pense nos seus filhos, tenha paciência, Deus está conosco até o pescoço, já está escrito, já está previsto, por todas as videntes, pelas cartomantes …” São frases da música de Ivan Lins e Vitor Martins, “Cartomante”, dos idos anos 70. Guarda alguma relação com o Brasil atual ? Era um momento conturbado e opressor da vida do País, onde a política vinha de cima para baixo pela ditadura militar, a censura “mandava” e as manifestações eram proibidas. Hoje a política da democracia experimentada, como dizem alguns, não é algo tão republicano. Temos o poder pelo poder exibido na Operação Lava Jato, sustentado pelo capital que aumenta sua boquinha no superfaturamento e desvio de dinheiro público aos amigos do rei, enchendo as burras de partidos políticos, do Partido dos Trabalhadores, o PT da presidente Dilma Rousseff como denuncia o Ministério Público Federal. Dilma enfrenta neste domingo o seu drama, o pedido do seu impeachment.Os deputados federais, se nenhuma liminar surgir para barrar a programação prevista, votarão hoje pela abertura de processo contra a presidente, que repete como vitrola quebrada que não vai ter golpe, que não houve crime, como se não fosse crime de responsabilidade ato atentatório à lei orçamentária (artigo 85 da Constituição Federal), suas pedaladas fiscais. Justamente para demonstrar sua “inocência” é que o processo de impedimento, com previsão legal, deve seguir sem a ladainha de vingança do presidente da Câmara. Na era Fernando Henrique, no conceito petista, pedir o impeachment não era golpe; hoje é.
Seja qual for o resultado da votação, fato é que o governo Dilma só avança nos comícios do Palácio do Planalto para a claque de pseudos movimentos sociais. Temos que aceitar pontos de vista diferentes, nem todos comungam das mesmas ideias, tampouco das minhas neste espaço, mas se há um muro separando Brasília, é porque o Governo Federal levou o País a pique e tem seu rumo ditado de um quarto de hotel. Dilma não governa mais e disse que se perder a batalha do impeachment será carta fora do baralho. A política sempre surpreende. Vamos aguardar as “cartomantes” da Câmara Federal para saber como virão as cartas. Se o desfecho será ou não como a música: “cai o rei de espadas, cai o rei de ouros, cai o rei de paus, cai, não fica nada…”.

Laerte Silva é advogado


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