ARTIGO

Láissa, a perra Argentina

Perseu Gentil Negrão

Desde criança tomei gosto por pescaria. Menino, ia com papai em uma represa pescar curimbatás. Depois, mais crescidinho era levado ao Ribeirão dos Porcos, pelo saudoso tio Gumercindo. Já adulto, fui algumas vezes com meu irmão Rubinho, pescar no Rio Miranda, no Mato Grosso do Sul. Mudei para Mogi das Cruzes e passei a frequentar o Canal de Bertioga, com o amigo Airton. O tempo passou rápido. Certa vez consegui ir ao Mato Grosso com papai e meus irmãos. Pescaria inesquecível e, algum tempo depois, papai foi “pescar” longe (muito longe). Algumas vezes, fui pescar com o amigo Alcides (do Café Lourenço). O Cidão também foi “procurar outros rios”.

Quando passei a dar aulas na faculdade, conheci o Egberto Malta Moreira e ingressei no seu seleto grupo de pescarias. Foram incontáveis jornadas felizes. Ano passado, o querido Egberto foi em busca de outros rios.

Fiquei órfão de grupo de pescaria. Este ano, combinei uma intrépida jornada “pescativa”, na Argentina, com os amigos Pedrão e seus filhos Alexandre e neto Pedro Neto. E cá estamos. Os excelentes amigos dormem cedo, enquanto eu sou notívago. Assim, após os dias “laborativos”, fico sozinho (como um curiango).

Ontem, eu estava em um canto, quando se aproximou uma linda “perra”, da mais pura raça “vira Basura”. Com saudades da minha Bisteca, estalei os dedos para a “perra”. Ela se aproximou e fiz-lhe carinhos. A Perra gostou, pois quando parei os afagos ela cutucou-me com a pata, pedindo mais.

Na cama, o sono é que se despediu de mim. Conclui que a perra, chamada Láissa, é parecida comigo (de raça indefinida, olhos tristes, solitária e carente de carinhos). Hoje, enquanto escrevo estas bobagens, a perra está “pedinchando” carinhos, deitada sobre meus pés.

Fico imaginando se a Perra, como eu, está ficando velha e solitária. Se ela perdeu bons amigos de caçadas a ossos… Eu, como ela, quero um pouco da carinho e ainda pretendo fazer muitas pescarias. Até que um dia irei pescar na terceira margem do rio… Certamente encontrarei papai, Cidão e Egberto e outros amigos.

Perseu Gentil Negrão é procurador de Justiça do MP de São Paulo


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