Lâmpadas queimadas

O impasse sobre a iluminação pública entre a EDP Bandeirante e a Prefeitura de Mogi das Cruzes começa a tomar uma proporção preocupante. A cada dia que passa, a falta de uma definição sobre quem irá assumir o setor fica mais complicada e começa a interferir na rotina das pessoas. Mais lâmpadas queimam e os custos com a manutenção, troca e o religamento dos postes ficarão ainda mais caros, a se manter a indefinição sobre quem irá responder por um passivo que prejudica diretamente a ordem pública. Uma cidade às escuras aumenta consideravelmente a sensação de insegurança, tranquilamente considerada como o pior dos problemas de Mogi das Cruzes.
Antes mesmo de começar a valer, a resolução federal que repassou para os municípios a responsabilidade pela iluminação pública, preocupava os gestores públicos que passariam a responder por um setor que demanda logística na manutenção e recursos financeiros e humanos específicos. A Prefeitura de Mogi das Cruzes recorreu à Justiça e reivindica a entrega do parque de iluminação em ordem para que possa receber os serviços. Enquanto esse imbróglio corre na Justiça, a manutenção e a substituição das lâmpadas queimadas praticamente foram suspensas, provocando as queixas e o temor de moradores e comerciantes.

O governo municipal e a concessionária de energia defendem seus argumentos – até aí, tudo bem, porque o poder público deve mesmo prezar pelos interesses da coletividade; o problema é que a falta de um consenso está comprometendo a iluminação pública, num péssimo momento, quando os números de crimes contra o patrimônio e a pessoa estão em alta.

Além disso, o que está acontecendo durante esse período demonstra uma absurda falta de atenção com o cidadão, pagador dos impostos e da taxa da iluminação pública, no final das contas. Como sempre, quem paga pela iluminação pública é o contribuinte. Este jornal destacou ontem, a indignação de quem tem sido atendido pela Prefeitura e da EDP e constata que não há uma solução a curto prazo. A comerciante Maria Aparecida de Almeida ouviu de um servidor uma sugestão absurda, depois de saber que não haveria um prazo para o atendimento da queixa: “Para terminar a minha decepção, ele (o servidor público) me mandou colocar um holofote na porta da minha loja. É o fim da picada”. Ou seja, a depender da maneira com que esse problema tem sido tratado, Mogi das Cruzes deve ganhar mais pontos escuros e inseguros.