Lições do Hospital Ipiranga

O deprimente momento por que passa o Hospital Ipiranga há de deixar grandes lições para todos nós. Flagrado esta semana, pela Vigilância Sanitária, com a desconfortável comprovação de que adaptou leitos de UTI sem cuidados, sequer, de comunicar aos orgãos fiscalizadores, o hospital se viu punido com a interdição dos ditos leitos e repreendido por descuidar de seu Centro de Processamento de Produtos e Esterilização. Incrível: gambiarras na instalação de unidades de terapia intensiva e descuido com esterilizaçao, dois dos setores dos mais – se não os mais – críticos em qualquer estabelecimento de saúde. Há lições para todos:Para o hospital: ação empresarial com responsabilidade comunitária, o hospital, fundado por mogianos há mais de 50 anos, poderia buscar em sua própria história o papel desempenhado pelo médico Nobolo Mori na consolidação do empreendimento. Ao contrário do que ocorre hoje – o hospital não declina o nome de qualquer de seus responsáveis, nem mesmo em sua página da internet – quando dr. Nobolo exercia a direção sabia-se exatamente quem era o responsável por aquilo e à sua obra ele transferiu toda a sua enorme credibilidade, ainda hoje intocada. Este comportamento deve custar caro aos atuais e desconhecidos diretores do Hospital Ipiranga, tendo em vista as iminentes ações judiciais para reparos de danos que devem ser propostas por pacientes e parentes, que se sentirem prejudicados com a comprovação da inépcia.
Para a Vigilância Sanitária: considerando-se que não se adapta leito de UTI da noite para o dia ou de uma semana para outra, a Divisão de Vigilância Sanitária precisa vir a público e relatar quando foram feitas as últimas (“rotineiras” segundo ela) inspeções no Hospital Ipiranga. Neste caso específico, a DVS tem uma lição a aprender com a Polícia Federal em suas ações da Operação Lava Jato: a cada final de uma ação, os delegados reúnem a imprensa, lá em Curitiba, e detalham suas atividades. Por aqui deu-se o inverso: à cata de informações, o repórter Lucas Meloni era visto como um intruso em suas tentativas de se informar para informar aos nossos leitores. E as partes envolvidas, todas (hospital e DVS), tentam se esquivar com anódinos comunicados que ninguém assina e nada detalham, numa prova acabada de desrespeito com a comunidade. Fica em tudo isso um cheiro de mistério. E quando se trata de coisa pública, cheiro de mistério nunca tem bom odor.
Para nós próprios: para nós aqui de O Diário, que o evento também traga lições e aprimore nossos alarmes na detecção de questões de interesse público como essa. Nosso maior sensor de alarme são nossos leitores, aos quais pedimos, uma vez mais, que nos cobrem, sempre, posições de seu interesse.


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