MOVIMENTO

Líderes mantêm pressão contra instalação de pedágio na rodovia Mogi Dutra

REAÇÃO Entidades e moradores da Serra do Itapeti estão mobilizadas contra instalação de pedágio na Mogi-Dutra. (Foto: arquivo)

O Estado confirmou ontem que a Mogi-Dutra não faz parte do lote de rodovias estaduais paulistas que será leiloado hoje pelo governador João Doria (PSDB). A Artesp, no entanto, afirma que isso não significa que o plano de privatização e instalação do pedágio na via tenha sido alterado. Representantes do movimento ‘Pedágio Não’ apontam questões polêmicas no projeto, e informam que o grupo continuará mobilizado até que o governo desista oficialmente de construir a praça para cobrança.

De acordo com a Artesp, o leilão de hoje envolve apenas as rodovias estaduais paulistas do interior, mais especificamente o lote “Piracicaba-Panorama (Pipa)”, a maior malha já licitada em um único lote no País, com 1.273 quilômetros, cabendo à concessionária vencedora um investimento de R$ 14 bilhões nos próximos 30 anos.

O evento abre a agenda de concessões de infraestrutura do país para 2020, que prevê os leilões de outras rodovias, incluindo o lote das estradas litorâneas, onde estão incluídas a Mogi-Dutra e Mogi-Bertioga. O órgão alega que esse processo ainda vai demorar um tempo para ser concluído porque continua na fase de análise das propostas apresentadas na fase de consulta pública.

O Diário publicou ontem as informações de uma fonte ligada ao governo do Estado e do deputado federal Marco Bertaiolli (PSD) de que o governo analisa a retirada do pedágio no trecho mogiano do pacote de privatização. Os comentários são de que, na verdade, a demora para concluir a análise do projeto acontece por conta das críticas ao pedágio da Mogi-Dutra.

“Não vamos aceitar uma praça de pedágio na Mogi-Dutra. Só o fato de terem postergado qualquer leilão das rodovias litorâneas já demonstra o tamanho do problema que a Artesp vai enfrentar para colocar um pedágio na Mogi-Dutra”, destaca Bertaiolli. A sugestão de pedágio, segundo ele, envolve questões estritamente financeiras, já que a intenção é instalar uma praça onde tem maior fluxo de veículo e usar a arrecadação para fazer uma obra na Mogi-Bertioga e privatizar a Rio-Santos.

O deputado acrescenta que “só o fato de a cidade ter concordado em fazer audiência pública na cidade para apresentar uma proposta indecente como essa já foi um equívoco”, alfineta Bertaioli. Ele disse ainda que o vice-governador Rodrigo Garcia (DEM) “está revendo o projeto”.

O presidente da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Mogi das Cruzes, (Aeamc), Nelson Bettoi Batalha Neto, que participa do ‘Pedágio Não’ acha positivo o fato de a Agência não ter concluído o plano das litorâneas, mas afirma que a cidade precisa continuar mobilizada até que o governador desista oficialmente da ideia.

Ele disse que no encontro ocorrido na Agência no final de 2019, profissionais da entidade mostraram algumas falhas técnicas no projeto, que ele espera que sejam levados em conta. Explica, por exemplo, que a Mogi Dutra é estreita e não oferece espaço para instalar as praças de pedágio em número suficiente para evitar congestionamentos. Ele prevê que a Artesp vai ter problemas para fazer a ligação das rodovias Mogi-Dutra e Mogi-Bertioga usando a via perimetral, um acesso localizado em uma área urbana onde há comércios e residências. E lembra de um outro passivo: a necessidade de se realizar as obras na Mogi Bertioga para evitar os deslizamentos de encostas, o que significará um alto custo para a concessão.


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