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Linha Sandero ganha retoques no visual e câmbio CVT

Foto Sandero 2020 CVT - Foto: Daniel Derevecki / La Imagem / Renault
Tanto o Sandero como o sedã Logan equipados com câmbio CVT ficaram com maior altura em relação ao solo (Divulgação)

Cinco anos após o lançamento, a atual geração dos Renault Sandero e Logan precisava passar por mudanças para continuar competitiva. Diante da proliferação de rivais mais modernos em seus segmentos, a marca francesa decidiu aplicar aos dois compactos uma reestilização específica para o mercado local, reforçar a segurança e o conforto dos passageiros e abandonar o sofrível câmbio automatizado em favor de um legítimo automático do tipo CVT. Os motores permanecem os mesmos: 1.0 SCe 12V de três cilindros e 1.6 16V de quatro cilindros para Sandero e Logan, além do 2.0 16V de quatro cilindros com 150 cavalos, exclusivo da versão esportiva R.S. do Sandero.
Na dianteira, Sandero e Logan ganharam novos para-choques, de aspecto mais encorpado, enquanto a grade ficou mais ampla e composta por filetes horizontais mais elegantes. Os faróis mantêm os contornos dos antigos, mas tiveram seus elementos internos todos redesenhados, incorporando luzes diurnas em forma de “C”, uma nova característica estilística da marca. A versão aventureira Stepway ficou mais discreta, especialmente no para-choque dianteiro, que agora tem desenho menos exagerado, com menos apliques plásticos e linhas mais harmônicas. Estranhamente, o desenho frontal da variante R.S. não teve alteração. A frente é a mesma da linha 2019. A fabricante francesa justifica que o design da versão já segue o padrão global da linha esportiva da marca.

O novo visual traseiro do Sandero é bem resolvido esteticamente, apesar de não ser tão atraente nas fotografias(Divulgação)

Embora não seja muito fotogênico, o visual traseiro do hatch impressiona quando conferido pessoalmente. As novas lanternas se estendem para a tampa do porta-malas e têm uma linha de LED que se estende por toda sua parte inferior, formando uma assinatura visual característica. O conjunto é bem resolvido esteticamente e cumpre a função de transmitir sofisticação. Nas versões R.S. e Stepway, as lanternas têm um padrão diferenciado, com moldura escurecida na cor grafite. Bem menos inspirada é a traseira do Logan, na qual as lanternas são as mesmas do modelo anterior.
Um aspecto curioso dos novos Sandero e Logan, mais especificamente das versões equipadas com motor 1.6 e transmissão automática CVT, foi o aumento do vão livre entre a carroceria e o solo em 4,5 centímetros. Além de deixar os carros consideravelmente mais altos, essa elevação “obrigou” os designers da marca a aplicarem molduras plásticas nas caixas de rodas e soleira das portas, e também a adotar rodas de 16 polegadas para tentar equilibrar o visual. O resultado é controverso, especialmente no caso do Logan, já que sedãs de suspensão elevadas causam grande estranheza.
O mix de versões também mudou, acompanhando a nomenclatura já utilizada pelo Captur e Kwid. Saem de cena as antigas Authentique, Expression e Dynamique e entram as novas Life, Zen, Intense e a topo de linha Iconic. O preço inicial da Life 1.0 parte de R$ 46.990 para o Sandero e de R$ 50.490 para o Logan. A Zen pode vir equipada com motor 1.0 ou 1.6. No Sandero, o preço da versão 1.0 parte de R$ 49.990 e a 1.6, de R$ 55.990. O Logan Zen 1.0 começa em R$ 53.490 e a 1.6, em R$ 59.490. A versão Zen 1.6 CVT X-Tronic fica em R$ 62.990 no Sandero e em R$ 66.490 no Logan. Na parte mais elevada da tabela de preços, a Intense 1.6 CVT X-Tronic sai por R$ 65.490 no Sandero e por R$ 68.990 no Logan. Topo de linha do Logan, a Iconic 1.6 CVT X-Tronic sai por R$ 71.090. A versão esportiva R.S. 2.0 do Sandero fica em R$ 69.690. A Stepway também é oferecida em três níveis de acabamento, sempre com motorização 1.6 16V: a Zen, com câmbio manual, parte de R$ 61.190, enquanto a Intense e a Iconic, ambas automáticas CVT, são oferecidas por R$ 70.990 e R$ 73.090, respectivamente.

A maior altura em relação ao solo, paraacomodar o câmbio CVT, dá um aspecto “SUV” ao hatch da Renault (Divulgação)

Se, por fora, a linha Renault Sandero e Logan 2020 não revolucionou, por dentro as mudanças foram ainda mais pontuais. As principais novidades estão na lista de equipamentos de segurança, que agora inclui de série, em todas as versões, mesmo na básica Life 1.0, quatro airbags (dois frontais e dois laterais) e duas fixações Isofix. Os modelos continuam honestos no acabamento, e a cabine, embora não seja luxuosa, é bem acolhedora. Há muito plástico rígido, mas de boa qualidade e com texturas agradáveis. O bom espaço interno permanece inalterado. Há travas elétricas em todas as portas e ar-condicionado em todas as versões, de ajuste manual na básica e intermediárias e automático na Intense e na Iconic 1.6 CVT X-Tronic e no R.S. 2.0. O sistema multimídia é de série a partir da versão Zen 1.0 e incorpora tecnologia Android Auto e Apple CarPlay. A tela sensível ao toque de sete polegadas agora é do tipo capacitiva, com melhor precisão do toque.

A Renault também não mudou quase nada o interior do Sandero, mas deixou o hatch mais equipado com itens de segurança (Divulgação)

Agradável de se dirigir, o hatch traz direção com assistência elétrica de série em toda linha, que proporciona respostas ágeis em movimento e suavidade nas manobras. O novo volante, com desenho herdado do Clio europeu, tem boa empunhadura e visual interessante. O câmbio automático CVT era uma necessidade, uma vez que os solavancos e mudanças lentas do antigo automatizado não agradavam a ninguém. Esse tipo de transmissão permite que o motor trabalhe com rotações mais baixas para atingir as mesmas velocidades, proporcionando menor consumo. Em baixas rotações, em especial nas arrancadas e retomadas, as respostas são pouco vigorosas.
O motor 1.6 16V, com 118 cavalos de potência e torque de 16 kgfm (abastecido com etanol), oferece mais agilidade em giros altos, o que pode desapontar um pouco aqueles que gostam de uma performance mais esportiva. Para quem roda tranquilo, nada que decepcione. Quando combinado com o câmbio manual, o 1.6 mostra mais disposição, mas essa combinação (motor 1.6 e câmbio manual) só está disponível na variante intermediária Zen.
As versões equipadas com o motor 1.0 SCe 12V de três cilindros, com potência máxima de 82 cavalos com etanol e 10,5 kgfm de torque, têm desempenho satisfatório. Com 90% do torque disponível a apenas 2.000 rpm, a elasticidade surpreende e impacta positivamente na condução. É um carro bem disposto para o trânsito e para a estrada. (Marcelo Queiroz/AutoMotrix)

Ficha técnica
Renault Sandero Intense

Motor: dianteiro, transversal, 4 cilindros, 16 válvulas, 1.597 cm³, duplo comando com variador na admissão. Combustível: gasolina/etanol (flex)
Potência e torque: 115/118 cavalos a 5.500 rpm, com torque máximo de 16 kgfm a 4 mil rpm
Transmissão: automática continuamente variável (CVT) com 6 marchas simuladas no modo manual. Tração dianteira
Suspensões: independente McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira
Rodas e pneus: liga leve de 16″ com pneus 205/55 R16
Freios: discos ventilados na dianteira e tambor na traseira com ABS e EDB
Peso: 1.140 kg em ordem de marcha
Dimensões: comprimento de 4,07 metros, largura de 1,73 metro, altura de 1,57 metro, entre-eixos de 2,59 metros
Capacidades: tanque de 50 litros, porta-malas de 320 litros

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