EDITORIAL

Livres do tabagismo

“Segundo o Inca, 428 pessoas ainda morrem por dia no Brasil por causa do tabagismo”

A aprovação pela Câmara de Mogi da lei de autoria do vereador Jean Lopes (PC do B) que proíbe o uso de cigarros, charutos, narguilé e outros tipos de fumígenos no interior dos parques públicos da cidade é mais um duro golpe naqueles que insistem em continuar consumindo tais produtos, apesar dos comprovados malefícios causados por eles à saúde.

Depois da legislação que proibiu o cigarro e seus derivados no interior de locais fechados, espaços públicos e comunitários, cada cidade tem procurado restringir ainda mais o consumo do fumo, criando legislações específicas para determinados pontos, como ocorreu em Mogi, nesta semana, com os espaços dos parques públicos.

Tudo isso vem acompanhado de outras proibições, como a das propagandas nos maços de cigarros, onde também estão expostas imagens chocantes de males que o produto é capaz de provocar.

O resultado tem sido uma redução progressiva no consumo.

Estatísticas oficiais, no entanto, continuam mostrando números assombrosos sobre os drásticos efeitos da nicotina e demais componentes dos diferentes cigarros sobre o organismo humano.

Números sempre assustam, como os divulgados pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), segundo os quais, 428 pessoas ainda morrem por dia no Brasil por causa do tabagismo; ou ainda 12,6% de todas as mortes que ocorrem no País podem ser atribuídas ao uso contínuo do fumo e seus derivados. A mesma fonte aponta que 156.217 mortes poderiam ser evitadas a cada ano, com o abandono definitivo do cigarro.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, a epidemia de tabagismo continua sendo a maior ameaça à saúde pública que o mundo já enfrentou. Os produtos de tabaco matam dois em cada três de seus consumidores e afetam também a saúde de pessoas que não fumam, mas inalam a fumaça de produtos de tabaco de terceiros (fumantes passivos).

A perda de produtividade e o tratamento de doenças relacionadas ao tabaco são responsáveis por enormes prejuízos para as nações. No entanto, esses danos não se limitam à esfera do consumidor. A cadeia de produção de tabaco também é prejudicial para o meio ambiente (causa desmatamento), traz problemas sanitários e sociais para os agricultores que produzem tabaco.

Dados como esses da OMS demonstram o acerto a proibição nos parques mogianos, frequentados por muitas crianças, jovens e idosos, aonde a condição de fumante passivo é uma questão só resolvida com esse tipo de medida. Aplausos para a decisão já podem ser sentidos e já existe até mesmo quem fale em estender a proibição a outros produtos igualmente maléficos à saúde. Como o álcool, por exemplo.

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