Livro aborda o cubismo de maneira abrangente

Serge Fauchereau escreveu  “O Cubismo, Uma Revolução Estética” / Foto: Divulgação
Serge Fauchereau escreveu “O Cubismo, Uma Revolução Estética” / Foto: Divulgação

A importância do cubismo, o movimento que tem em Pablo Picasso (1881-1973) seu representante mais celebrado, é unânime. Dentro do que considera arte figurativa, ou seja, aquela que busca representar o real, o cubismo seria o mais radical rompimento com seus princípios.

Isso ocorre pelo total abandono de um dos mais famosos recursos da pintura, o ponto de fuga, para se aproximar de múltiplas facetas na representação. A importância de Picasso está justamente em ter criado a obra-prima cubista “Les Demoiselles d’Avignon”, em 1907, representando prostitutas sem uma perspectiva definida.

“O Cubismo, Uma Revolução Estética”, de Serge Fauchereau, aborda o movimento de maneira abrangente, mas tão generalista que acaba se tornando uma obra superficial. Capítulos curtos, que lembram verbetes da Wikipédia, sucedem-se em questões essenciais como a polaridade entre o real e o abstrato, a influência da arte “negra” (as aspas são do autor) ou o mundo urbanizado.
“Para a maior parte do público e da crítica, que só respeitava a arte dos salões oficiais, ele foi por muito tempo uma velhacaria ou um erro”, afirma o autor no capítulo dedicado ao cubismo na Europa. Fauchereau abusa de frases de senso comum sem de fato se aprofundar nas questões essenciais do movimento.

Não que faltem à publicação informações consistentes e uma ampla contextualização do movimento. Um de seus melhores momentos é quando o autor aborda as aproximações cubistas na dança e no cinema com o balé mecânico de Fernand Léger, realizado em 1924, como um de seus grandes exemplos.

Talvez o problema esteja em certa idealização romântica que Fauchereau empresta aos cubistas, como se fossem figuras visionárias. Entra-se em um campo de clichês, desculpa um tanto voluntarista para a aceitação de uma arte renovadora. Os cubistas, de fato, buscaram criar novas formas de representação a partir de seu tempo, contra ele ou mesmo apesar dele.


Deixe seu comentário