Livro amigo

Uma iniciativa relativamente simples e fácil de obter apoio popular, a instalação de carrinhos com livros infantis e adultos em unidades públicas de saúde com grande circulação de público faz do Projeto Livro Amigo uma interessante ferramenta de incentivo à leitura. O programa funciona há dois anos em Mogi das Cruzes. Quanto mais meios forem criados para “provocar” o feliz encontro entre o livro e o leitor, melhor para a formação de cidadãos críticos e mais preparados para a vida pessoal, familiar, profissional, social.O distanciamento das pessoas dos livros se dá por fatores culturais no Brasil – pais não leem, os filhos não leem, às vezes, nem os professores leem. A maior parte da população não lê um livro por ano, depois que termina a escola – aliás, apenas 56,7% dos jovens brasileiros terminam o Ensino Médio na idade certa (Pnad – Pesquisa Nacional de Amostra dos Domicílio/2014). Soma-se ao desinteresse pela leitura, condicionado necessariamente à formação escolar e familiar, principalmente, o fato de o livro ser um produto caro para grande parte das pessoas. Em média, R$ 30, se for novo. Nos sebos e feiras de usados, R$ 10,00. Para muitas famílias, esses valores são impraticáveis diante das prioridades. As pessoas gastam, basicamente, como os bens de primeiríssima necessidade, leite, pão e arroz, transporte para o trabalho, enfim. Muitas, não apenas em tempos de crise e desemprego, como o atual, mas durante toda a vida, não tem como comprar livro novo ou usado.
A ideia do projeto Livro Amigo é levar títulos interessantes e reconhecidamente de bons conteúdos onde as pessoas estão: não caso, nos serviços médicos, onde a espera pela consulta pode render algumas horas de leitura. Há carrinhos em endereços como a AACD, UPA do Rodeio, entre outros.
A meta da Secretaria Municipal de Cultura e do Fundo Social de Solidariedade é ampliar esses pontos de leitura, com o recebimento e a separação de novos títulos doados. Livro parado na estante não movimenta ideias, não transforma as pessoas.
Esse projeto merece ser expandido para outros pontos da Cidade. Muitos livros estão sendo levados para casa. Um sinal de que as pessoas estão gostando de ler. Um livro dentro de uma casa está sujeito a ser lido por mais pessoas. São graves os dos prejuízos decorrentes da leitura, da redação e da compreensão da realidade. Na vida das pessoas, quando procuram um emprego, a redação ruim elimina as chances de um candidato. Na vida de uma sociedade, os prejuízos são poderiam ser mais duros e flagrantes. O exemplo mais atual: a sessão de votação de impeachment da presidente Dilma Roussef, na Câmara dos Deputados, no último dia 17, quando os quando os erros de concordância verbal e a dificuldade de expressão de boa parte dos deputados que votaram “sim” e “não” envergonharam o País.


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