LANÇAMENTO

Livro de Glauco Riccielli trará a história dos 150 anos do São Salvador

ANÚNCIO Glauco Riccielli diz que lançará o livro no cemitério São Salvador. (Foto: Elton Ishikawa)
ANÚNCIO Glauco Riccielli diz que lançará o livro no cemitério São Salvador. (Foto: Elton Ishikawa)

No mês em que Mogi das Cruzes completar 460 anos – setembro de 2020 – a cidade ganhará mais um registro que ajudará a contar a sua história. O livro “Cemitério São Salvador” já está em fase de apuração pelo historiador Glauco Riccielli. O material deve reunir a história dos principais espaços da cidade que reúnem os mortos, desde o Santo Alberto, que é o mais antigo ainda em atividade, e mostrando também o de Sabaúna, Nossa Senhora do Carmo, Taiaçupeba, Parque das Oliveiras e o Santana, que deve ganhar destaque pelos seus símbolos, personagens, lendas e a preservação.

O autor conta que os mais antigos cemitérios da cidade ficavam nas laterais e atrás das igrejas do Carmo, São Benedito e da Catedral de Santana. Esses não estão mais em atividade. No meio do século XIX, Dom Pedro começa a repensar o Brasil como estrutura, zoneamento, e pelo fato dos poços artesianos serem a principal fonte de água e o corpo liberar líquidos, torna a partir de 1850 a responsabilidade para as prefeituras cuidarem, para se tratar da saúde pública.

“Nessa onda, Mogi vem e concretiza o São Salvador. Por isso eu vou contar no livro a história desses 150 anos. Eu costumo levar os meus alunos e até os turistas para visitarem esse cemitério, e contar a partir dali a história da cidade. Eu trabalho a simbologia. Quando eu tive a ideia, eu fui falar com o secretário de Governo, Marco Soares, para ter anuência. Mas ele gostou do trabalho e eu vou fazer a pesquisa”, disse.

Um dos capítulos do livro deve ser dedicado a contar a história da morte com Mogi das Cruzes. Desde os santinhos que eram feitos com os dados do falecido, o sino com a badalada específica para a morte, mostrar o coveiro, necromaquiador, sem esquecer das lendas da cidade: a Menina da Pipoca e a Procissão das Almas.

“A procissão conta que na madrugada do dia 1º para o dia 2 de janeiro, ocorre uma procissão de almas que sai do São Salvador, desce a Senador Dantas, e a alma vai visitar a casa em que ela viveu. Diz que uma mulher viu pela fresta da janela, e a pessoa varou a janela e entregou na mão dela uma vela. Quando ela olha para a mão dela, era um fêmur (osso da perna), No ano seguinte, ela fica com o fêmur na mão, a pessoa resgata, vira uma vela e leva embora. É uma lenda de várias cidades, mas que foi incorporada também em Mogi”, destaca o Riccieli.

A da Menina da Pipoca é a mais tradicional na cidade, porque há o registro físico, com o túmulo no cemitério. A criança morreu por asfixia, ao que tudo indica por um pedaço do berço. Mas construiu-se uma lenda de que ela engasgou comendo a pipoca. “Ela se concretiza quando você olha para a mão da criança escupida, que está segundo pétalas de flores, mas que parecem pipocas. E isso vira um santo popular, porque as pessoas fazem pedidos”, diz. O livro deve trazer ainda um registro sobre o Menino Marques que teria sido morto pela mãe, madrasta ou a vizinha.

Em uma das passagens do livro Riccieli deve contar com a ajuda da esposa, a psicóloga Valéria Rocha Macedo Prado Lemes para tratar a questão do luto. A ilustração terá fotos de arquivo de grupos de arte cemiterial, dos quais Glauco mantém contato. “Aqui na cidade tem um túmulo que traz uma ampulheta com asa de morcego. Na pesquisa, eu descobri que significa que quando você nasceu, Deus te dá uma ampulheta que é a tua vida. A única coisa que vai parar é a morte, algo que você não planeja. E a asa de morcego significa isso”, diz.

A ideia é de que o livro seja lançado dentro do próprio cemitério, com uma programação que deve contar com um sarau em que parte da história será apresentada. O apoio ao projeto é da Academia Mogicruzense de História, Artes e Letras (Amhal) e Prefeitura de Mogi das Cruzes.


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