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Livro revela histórias da política mogiana

O início da década de 1990 encontra o cenário político um tanto conturbado e indefinido em Mogi das Cruzes. Com Waldemar Costa Filho na Prefeitura, Jacob Cardoso Lopes sob os efeitos do episódio Mogigate e o outro cacique político, Manoel Bezerra de Melo, residindo no Ceará, a Prefeitura seria disputada, em 1992, por Egberto Malta Moreira (PSDB), Eduardo Lopes (PDS), Chico Nogueira (PTB) e Ana Maria de Paula (PT). Por muito pouco, entretanto, esse quadro não se alterou radicalmente, com Padre Melo retornando especialmente para disputar a Prefeitura mogiana. É o que mostra o livro Desafios e Escolhas de Uma Liderança – a vida profissional do ex-reitor da USP e da UMC, escrito a quatro mãos e recentemente lançado por Roberto Leal Lobo e sua mulher, Maria Beatriz Lobo. A parte final da obra mostra como Roberto Lobo, ex-reitor da USP, tornou-se reitor da Universidade de Mogi das Cruzes com objetivo de promover uma “revolução” no ensino superior particular do País, a partir de Mogi. E é contada por Maria Beatriz, sobrinha de Melo, que inicia relatando como a história da UMC sempre esteve, de alguma forma, relacionada com a vida política da cidade. A autora revela detalhes de uma viagem de avião feita por ela e Melo, onde ambos discutem uma crise instalada na instituição de ensino mogiana, que começava a enfrentar a concorrência das muitas faculdades recém-abertas na Capital e Zona Leste, reduzindo os alunos e vestibulandos da UMC, ate então reinando quase absoluta na região. Diante de um quadro desalentador, Melo decide voltar para Mogi e assumir as rédeas da escola, deixada em mãos de pessoas de sua absoluta confiança, mas incapazes de reverter o quadro que lhe era desfavorável. Melo, revela Beatriz, tinha outros planos, além de cuidar da UMC. E o mais ousado deles era se tornar prefeito de Mogi, como primeiro passo para chegar ao Senado ou ao Palácio dos Bandeirantes. A decisão dividiu a família, já que a UMC sempre “sofreu em razão dos pedidos políticos e das campanhas eleitorais para deputado”. Uma eleição local poderia inviabilizar a instituição, relata a autora. A reação contrária mais forte veio da esposa, Maria Coeli Bezerra de Melo, que teria ameaçado “pedir o divórcio”, caso o marido insistisse na ideia da candidatura. A filha Regina, sempre apegada ao pai, era totalmente favorável à candidatura. Depois de muito debate em família, a matriarca Maria Coeli concordou em voltar para Mogi – onde Regina já se encontrava, estudando Jornalismo –, desde que Melo se candidatasse a vice e não a prefeito. Melo foi o vice de Chico Nogueira e, juntos, venceram o pleito municipal. O destino, no entanto, mudou tudo. No segundo ano do mandato, Chico sofreu um infarto e veio a falecer, no início de uma viagem de avião para Brasília. Melo tornou-se prefeito e governou Mogi até o fim do mandato.

Fim de carreira

O vereador José Antonio Cuco Pereira (PSDB) garantiu a esta coluna que ao final do atual mandato deverá encerrar definitivamente a sua vitoriosa carreira política iniciada nas eleições municipais de 1982. Foram sete mandatos como vereador, dois como vice-prefeito, e sete vezes presidente da Câmara de Mogi. Perto de completar 78 anos em maio próximo, Cuco já assumiu, por 12 vezes, o cargo de prefeito municipal, uma delas, durante um mês, na administração de Padre Melo.

Bronca

O empresário Carlos Lapique Martinez, morador de Mogi e proprietário da empresa Lapiendrius Flavors, fabricante de aromas para perfumes, enviou um ofício ao presidente da Sabesp reclamando dos constantes cortes no fornecimento de água para a indústria, com sede em Itaquá. Dizendo-se cliente há mais de 20 anos, ele critica o problema que já dura dois anos e cobra a solução imediata do “gravíssimo problema”. No documento, ele “anexa, envergonhado”, fotos de um caminhão-pipa abastecendo a empresa.

Nova direção

Ao completar 17 anos, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Escola da Cidade, da Capital, inicia uma nova fase. A partir de março, Ciro Pirondi e Anália Amorim, que dirigiram a instituição desde a sua fundação, darão lugar às professoras Cristiane Muniz e Maira Rios, nos cargos de diretora e diretora-adjunta, respectivamente. Na nova configuração da Associação Escola da Cidade, o professor Ciro Pirondi, de Mogi das Cruzes, será o diretor do Conselho Fábrica – Escola de Humanidades.

Expectativa

Não será surpresa, ao menos para esta coluna, se a definição sobre possível instalação de uma fábrica do grupo indiano Mahindra, um dos maiores produtores de tratores de todo o mundo, em Mogi das Cruzes, acontecer nos últimos dias da futura edição do Akimatsuri. A empresa está prestes a anunciar se vai mesmo optar pela cidade na implantação de sua nova unidade fabril.

Não é nada disso, minha filha. Macho é hoje uma palavra unissex.

Tancredo Neves (1910-1985), advogado e político brasileiro, após dizer que campanha eleitoral era “uma luta para machos” e ser acusado de machista por uma deputada