Lixo e lixeiras

A situação das lixeiras depredadas reflete a falta de civilidade e de educação de uma parcela da população. Esse tipo de vandalismo contra o patrimônio público gera prejuízos financeiros, ambientais e sociais. A começar pelo dinheiro gasto com a compra, instalação e reposição das peças quebradas ou inutilizadas. Quem paga pelo conserto e a reposição das lixeiras e dos demais utensílios e mobiliários depredados nas praças, parques, centros esportivos e escolas? Cada um de nós, os contribuintes. Quando alguém depreda algo público penaliza toda a sociedade.No caso do lixo jogado nas ruas, os prejuízos são as enchentes, a proliferação de insetos e atração de animais peçonhentos, o mau cheiro, a degradação do meio ambiente. Os detritos vão para rua e, depois, para os galerias pluviais, os córregos e rios. O problema é que, na rua, são depositados os materiais mais noviços para o meio ambiente – plástico, vidro, alumínio e outros elemento de grande durabilidade que levam de anos a décadas para se recompor na natureza. Pneus são inteiramente decompostos em 600 anos, garrafas de plástico e isopor, em 400 anos, chicletes, em 5 anos, bituca do cigarro, 20 meses.
As práticas ambientais começam a sensibilizar as pessoas. Os efeitos climáticos provocados pela depredação da natureza começam a fazer sentido. Mas, as mudanças desse hábito são lentas.
Ao percorrer ruas e avenidas da região central e pontos de concentração de pessoas, como o Parque Centenário, a reportagem de O Diário, publicada ontem, encontrou casos interessantes. Como as lixeiras quase nunca trocadas no Mercado do Produtor Rural Minor Harada, no Mogilar, e a redução do número de recipientes na periferia. Essa situação não condiz com o novo perfil dos bairros, que possuem núcleos próprios de comércio e pontos de encontro, como praças, e carecem, portanto, de mais lixeiras.
Nota-se, ainda, uma dualidade curiosa: enquanto a ausência das lixeiras em determinados pontos provoca reclamações e queixas, onde elas são fartamente encontradas, como o Parque Centenário, a sujeira impera e confirma o descaso de parte das pessoas com um bem público localizado ao lado do Rio Tietê.
A relação das pessoas com o espaço público tem melhorado. Como observou a comerciante Andreia Paulina Caetano, que confirma uma maior rapidez do poder público na reposição das lixeiras e a presença de muitos sujões: “O problema é que tem muita gente que joga lixo na rua”, diz ela.
Alguns levantamentos indicam que 30% do lixo urbano não são depositados da maneira correta. Os pontos de lixo viciados confirmam isso e demonstram quanto a Cidade ainda precisa avançar para combater esse problema que afeta diretamente a qualidade de vida das pessoas.


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