CRIMES

Lojistas adotam medidas contra pequenos furtos em Mogi das Cruzes

Estabelecimentos comerciais da região central de Mogi das Cruzes investem em seguranças e câmeras para coibir a ação de ladrões. (Foto: Eisner Soares)
Estabelecimentos comerciais da região central de Mogi das Cruzes investem em seguranças e câmeras para coibir a ação de ladrões. (Foto: Eisner Soares)

Nós últimos anos, o cenário do comércio tem mudado no centro de Mogi. Esta transformação vai além dos hábitos de consumo dos clientes e das imposições da Lei Mogi Mais Viva, que retirou a poluição visual da região de compras. Outro fator foi o aumento da presença de seguranças contratados e de câmeras na parte da frente dos estabelecimentos comerciais para inibir pequenos furtos. Um custo a mais para os lojistas, a fim de diminuir o prejuízo com as mercadorias levadas pelos marginais.

Há quase 10 anos, uma loja toda rosa vende roupas íntimas na rua Dr. Paulo Frontin, no centro, mas durante um tempo ganhou um funcionário para ficar na frente a fim de evitar furtos das peças, que são colocadas exatamente ali para chamar a atenção dos clientes. No entanto, há três meses não tem mais alguém ocupando o cargo. Enquanto dá, as vendedoras ajudam nesta tarefa, mas quando a loja lota, a entrada fica vulnerável e os criminosos entram em cena. Em três meses, foram dois casos constatados pela equipe. “No último, a loja estava cheia e só quando ficou vazia nós percebemos que 11 peças tinham sido levadas. O prejuízo foi de R$ 200,00”, conta a operadora de caixa Andreia de Matos.

Até mesmo quem não passou por isso, já tem um funcionário como segurança e o sistema de câmera instalado, como é o caso de outra loja, esta de cor azul e que vende produtos de armarinhos há 20 anos. A balconista Elaine Imada diz que o investimento faz parte da tentativa da loja de manter a segurança dos clientes e funcionários, além de evitar furtos. “Lá na rua é a Polícia, aí a gente tenta fazer a segurança aqui dentro. Precisamos expor alguns produtos, então alguém tem que ficar lá na frente”, diz.

Já no calçadão da rua Dr. Deodato Wertheimer, uma loja foi palco de furto no estoque, quando os ladrões levaram dois televisores de 32 polegadas avaliados em R$ 1.099 cada um e um celular. O local não tinha sinais de arrombamento. O boletim de ocorrência foi registrado como furto. Em outro comércio do mesmo calçadão, os objetos que vão desde brinquedos, roupas e utensílios para casa ficam no recuo da calçada, em frente à loja, mas um segurança permanece o tempo todo lá na frente. No entanto, a gerência precisou colocar um agente à paisana dentro da loja, para evitar os furtos que ocorrem lá dentro.

“Esses ocorrem mais vezes do que lá fora, porque aqui vai desde os cleptomaníacos que a gente sabe que tem condições, mas precisam roubar, até as pessoas em situação de rua, que vêm aqui para pegar facas, às vezes até para ameaçar alguém. Fazemos a abordagem dessas pessoas e se não quiserem pagar, conversamos e pedimos para sair da loja. Mas acabamos não levando para a Polícia porque senão é uma burocracia só. Ainda mais que são uma média de 10 desses casos por semana”, conta o gerente Nilton Celestino dos Santos.

O secretário municipal de Segurança, o coronel reformado a PM, Paulo Roberto Madureira Sales, diz que há dificuldade para evitar os pequenos furtos, já que eles acontecerem de forma rápida e os agentes não têm condições de estarem na frente de todas as lojas ao mesmo tempo. “Temos uma equipe diuturnamente também em Braz Cubas e Jundiapeba, além do centro, então nós sempre surpreendemos os infratores”, afirma o coronel.

Segundo Sales, geralmente as pessoas têm o mesmo perfil: são menores e usuários de drogas, que acabam repetindo o delito porque são soltos logo após a prisão. “A legislação para esses delitos não os deixa presos. Normalmente, pagam alguma pena mais rasa e ficam com sensação de impunidade”, ressalta Sales.

A pasta está imprimindo uma cartilha de práticas de segurança para ajudar também o cliente a não facilitar a ação dos criminosos, evitando se tornar vítima de furtos.