EDITORIAL

Longe do barulho

“Dados divulgados por entidades médicas justificam a proibição aos fogos barulhentos.”

Em boa hora, Mogi das Cruzes passa a fazer parte do seleto grupo de cidades que aderiram à queima silenciosa de fogos de artifício, proibindo o manuseio, utilização, queima e a soltura de artefatos pirotécnicos com estouros e estampidos em todo o município, incluindo eventos organizados por órgãos públicos, como a Prefeitura Municipal, por exemplo.

A lei elaborada em conjunto pelos vereadores Caio Cunha e Fernanda Moreno, do PV, aprovada por unanimidade pelos vereadores, foi sancionada pelo presidente da Câmara, vereador Sadao Sakai (PL), já começa a vigorar, trazendo como ponto básico o efeito prejudicial do uso de fogos de artifício com estampidos à saúde do homem e de outros animais.

A nova legislação é toda ela baseada em preceitos médicos que apontam os danos que tais explosões podem causar à audição humana, principalmente a pessoas especiais que possuem alta sensibilidade auditiva, como as diagnosticadas com o Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Dados divulgados por entidades médicas justificam a proibição aos fogos barulhentos. A Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, por exemplo, mostra que houve 122 mortes por acidentes com fogos nos últimos 20 anos, sendo 23% deles envolvendo menores de 18 anos.

Já a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) tem como padrão para o conforto acústico, 55 decibéis durante o dia e 75 decibéis durante a noite. Os fogos de artifício podem atingir a sonoridade equivalente a 150 a 175 decibéis, podendo provocar a perda progressiva da audição.

Pessoas portadoras de autismo, em especial as crianças, sofrem com as explosões, que lhes causam dor, sofrimento, crise e distúrbios no comportamento. Há casos comprovados de que a ansiedade causada pelo estouros podem levar à automutilação.

Há também os problemas causados a idosos, crianças e pessoas acamadas, sem contar os problemas causados aos animais que, estressados pelo barulho, enfrentam a ativação de seu sistema neurológico provocando desespero, luta e fuga. É comum os pets tentarem se afastar do barulho escondendo debaixo de móveis ou em pontos menos movimentados das casas. Os animais silvestres também são vítimas do barulho dos fogos, podendo apresentar alterações no comportamento e até serem atropelados durante as fugas.

Enfim, motivos existem de sobra para que a nova lei seja cumprida na cidade. O que se espera é que aja fiscalização para garantir um pouco mais de sossego à população.

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