Luta pertinente

É coerente a bandeira levantada pelo Conselho Municipal do Idoso para este ano: o grupo articula-se pela instalação de uma clínica geriátrica destinada a pessoas dependentes, com mais de 60 anos, que não podem ser acolhidas nos Institutos de Longa Permanência de Idosos (ILPIs).

O Instituto Pró+Vida São Sebastião, a casa São Vicente de Paulo e a Estância Manuel e Maria integram a rede de atendimento à parcela da população, que não possui vínculos familiares ou, se possuem, não estão morando com os parentes.

Essas casas, no entanto, não têm condições de manter uma residência geriátrica para essa demanda específica.

Uma alternativa dada pelo Conselho Municipal do Idoso será apresentada à Secretaria Municipal de Saúde e prevê o uso de instalações do Pró+Vida, que possui espaço físico para esse tipo de prestação de serviços, mas não tem fôlego financeiro para isso.

Entre as décadas de 1990 e 2000, o visionário padre Vicente Morlini construiu uma das obras mais importantes para a atenção ao idoso em Mogi das Cruzes. E durante um bom tempo, conseguiu manter uma clínica para assistir pacientes com doenças crônicas. Mas dificuldades econômicas e técnicas obrigaram a entidade a frear os passos.

Hoje, as instalações da sede do Pró+Vida estão subutilizadas e poderiam ser uma opção para a Cidade se preparar para uma demanda que crescerá nas próximas décadas, a reboque do aumento da expectativa de vida dos brasileiros e do acirramento da desigualdade social, já notada hoje entre a parcela de pessoas que vivem dentro de instituições. Há aqueles que não possuem parentes. E alguns desses idosos são retirados das ruas sem identidade, sem história e nem benefícios previdenciários.

Os municípios brasileiros terão de se preparar para um fenômeno sentido por assistentes sociais, e facilmente comprovado. As mudanças na tábua etária da população brasileira serão acentuadas com o aumento das pessoas com mais de 45 anos e a diminuição dos jovens em idade economicamente ativa.

Em algumas décadas, sairão melhor as cidades que executarem boas políticas públicas para cuidar de quem não tem família e dos demais, que viverão melhor se tiverem acesso à saúde ocupacional, esporte, interação social, mobilidade urbana.

Nessa questão, Mogi tem avançado. Mas os programas existentes (Pró-Hiper, a Academia do Unica de Jundiapeba e a Clínica de Reabilitação, no Hospital Municipal de Braz Cubas) terão de ser ampliados e funcionar adequadamente. Nesses três endereços, por mês, são assistidas 2,5 mil pessoas. Apenas para ilustrar sobre quem (e as demandas) que estamos falando: 16% da população brasileira tem mais de 60 anos. Em Mogi, levando-se em conta a projeção de 429 mil moradores (IBGE), nessa fatia etária estão 68 mil pessoas.


Deixe seu comentário